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Receios dos investidores afundam ações dos CTT em mais de 21%

Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Ao todo, trocaram hoje de mãos mais de 11 milhões de ações

Foi um dia de Todos os Santos pintado de negro para os CTT. A empresa liderada por Francisco Lacerda viveu esta quarta-feira a pior sessão bolsista da sua história, ao tombar 21,68% para os 3,96 euros, um mínimo histórico.

Na sessão de ontem, 31 de outubro, cada título dos Correios valia mais de cinco euros. Desde o início do ano as ações já afundaram perto de 40%.

Ao todo, trocaram hoje de mãos mais de 11 milhões de ações, algo pouco habitual numa sessão em que, por ser feriado, a liquidez é fraca. A última vez que a troca de ações dos CTT ultrapassou a fasquia do milhão de títulos foi a 27 de setembro. Desde então, a negociação diária oscilava entre as 300 mil e as 800 mil ações trocadas.

A “sangria” teve lugar no dia seguinte à apresentação dos resultados dos CTT nos primeiros nove meses de 2017, que ficaram abaixo das expectativas.

Os lucros caíram 57,6% para 19,5 milhões de euros, com a empresa a justificar os ganhos abaixo do esperado com a perda das receitas da Altice, a queda acentuada do tráfego de correio e com “os gastos associados ao processo de ajustamento das redes ao crescimento acelerado do Banco CTT e do negócio de Expresso e Encomendas”.

Face aos resultados, os CTT reduziram as estimativas para os próximos trimestres, tendo cortado em 20% o “guidance” inicial de EBITDA indicado para 2017.

Face à “pressão relevante” sobre o EBITDA consolidado para este ano, os CTT estão a trabalhar em “medidas de reajuste da capacidade instalada às reais necessidades operacionais que permitam uma redução relevante de gastos a serem apresentadas até ao final do ano”.

A evolução do EBITDA levou ainda a gestão a propor aos acionistas um dividendo de 0,38 euros por ação em 2017, a pagar no próximo ano, menos 0,10 euros face ao ano passado.

Segundo os analistas do Haitong, os resultados dos CTT foram “obviamente muito negativos”. Numa nota de análise publicada após a divulgação das contas, o banco de investimento sublinha já não se sentir “confortável” com a classificação para “comprar” os títulos dos CTT.

“Vemos que existe um claro problema do lado dos custos dos CTT e não temos a certeza de que a administração será capaz de resolver as coisas num período de tempo razoável”, destaca o Haitong.

A empresa vai realizar esta quinta-feira uma “conference call” com analistas para explicar os resultados.

A hecatombe dos CTT fez com que a bolsa portuguesa destoasse das congéneres europeias na sessão de 1 de novembro. O PSI20 fechou a perder 0,68%, num dia em que a Europa negociou em alta.

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