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Opinião. De ímpeto reformista… a ímpeto de conquista

Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach
Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach

A opinião de Diogo Teixeira, CEO da Optimize

Os anos passam… e a crise atravessada por Portugal a partir de 2011 já parece não ser muito mais do que um sonho desagradável para esquecer com um café e uma tosta antes de sair de casa. As rotinas do dia-a-dia voltaram a gerir as nossas vidas, e com elas parecem ter regressado alguns maus hábitos.

90% das casas em Lisboa são vendidas antes de acabadas, sindicatos na Autoeuropa reclamam o pagamento “em triplicado” aos sábados (100% de acréscimo mais 250€ por mês de prémio), salário mínimo aumenta para 580€, trabalhadores vão poder opôr-se em caso de transmissão da empresa, e o Ministério Público acabou de apresentar as suas alegações finais no processo de João Rendeiro.

Quando a Comissão Europeia pede para manter o “ímpeto reformista” em Portugal, talvez valha a pena recordarmos o documento assinado pelo governo de José Sócrates em maio de 2011. Uma justiça mais rápida e capaz de julgar, uma indústria competitiva, bancos imunizados contra uma inversão do mercado imobiliário, e um setor público racionalizado… Estas eram as insistências do memorando de entendimento firmado. Será que já chegou a altura de nos congratularmos pelos sucessos colhidos?

Ainda estamos longe de poder dar o assunto das “reformas estruturais” como tratado. Com uma dívida pública a 126.1% do PIB em novembro, malparado que ainda representava 22% das carteiras de crédito no final de 2016, resultados económicos essencialmente impulsionados pelo consumo, o turismo e a construção, e decisões de justiça a arrastarem-se durante décadas, ainda temos muito “pano para mangas”.

O início de ano sendo o momento oportuno para tomar boas resoluções, podemos levar este exercício mais adiante, preparando Portugal para “surfar” a próxima crise. Qualquer que seja o motivo na sua origem, irá sem dúvida acontecer, talvez pela culpa das cripto-moedas ou de um surto maníaco de Donald Trump no momento de “resolver para sempre” o caso norte-coreano.

E para surfar, não basta deixar a onda levar-nos, subindo e descendo consoante passa por nós. É preciso aprender a conquistá-la, antecipando-a em alguns instantes para nunca a deixar passar. Enquanto não tivermos curado a economia portuguesa das suas deficiências, sabemos que a próxima crise irá reabrir as mesmas feridas, rebentando as costuras nos pontos mais frágeis: dívida pública, crédito malparado, dependência do consumo, indústria sem vantagem competitiva,…. Será que desta vez conseguimos aguentar-nos no Euro?

Na ausência de bola de cristal, não sabemos que tempo nos resta para nos prepararmos para a próxima “big-one”. Não temos tempo para complacências, temos de voltar ao espírito de conquista que prevaleceu durante a idade de ouro dos descobrimentos.

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