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Dia negro na bolsa. Trump provoca terramoto em Wall Street

REUTERS/Toby Melville TPX IMAGES OF THE DAY
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Bolsa norte-americana com queda acentuada em reacção a escândalos de Trump, arrastando mercados europeu e asiático.

Quando Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos os investidores reagiram de forma positiva. O plano em marcha da tão prometida reforma fiscal norte-americana fez Wall Street negociar em euforia e atingir máximos históricos, levando, por arrasto, os principais mercados financeiros do resto do mundo. Só que os índices não são imunes aos sucessivos escândalos que envolvem o sucessor de Barack Obama e, esta quarta-feira em Nova Iorque, a bolsa tremeu e registou um dos maiores afundanços do ano.

Após a revelação de que Donald Trump teria divulgado informação confidencial sobre o Daesh às autoridades russas, as suspeitas de que o presidente norte-americano, com a demissão do diretor do FBI, James Comey, estaria a tentar interferir na investigação em curso sobre as ligações da sua administração à Rússia foram a gota de água. Membros do Congresso admitiram que a destituição de Trump poderia vir a ser discutida e os mercados cederam à pressão do medo, reagindo de forma violenta, com o Dow Jones e o S&P 500 a terem o seu pior dia em oito meses.

“Percebemos que a agenda de Trump está a descarrilar e os investidores acreditam que será difícil voltar aos eixos com as últimas acusações”, afirmou à Reuters Michael O’Rourke, diretor de estratégia de mercados da JonesTrading, em Greenwich, Connecticut. Esta quarta-feira, o Dow Jones caiu 1,78%, o S&P 500 registou uma queda de 1,82% e o Nasdaq de 2, 57%, num dia movimentado, semelhante a 21 de março, quando os mercados começaram a demonstrar nervosismo face à ausência de concretização das promessas de Trump.

O terramoto nos índices alterou a lista das maiores riquezas mundiais com Jeff Bezos, CEO da Amazon, a cair do segundo para o terceiro posto, tendo perdido 1.700 milhões em ações, e ficando atrás do espanhol Amancio Ortega, dono do grupo Inditex. O mais rico do mundo, Bill Gates, também registou perdas, na ordem dos mil milhões. Contudo, o maior prejuízo foi de Mark Zuckerberg, que perdeu dois mil milhões. No total, o índice dos bilionários da Bloomberg indica que o dia negro da bolsa custou 35 mil milhões aos mais ricos do mundo.

Do lado de cá do Atlântico os mercados sentiram também o impacto. A Europa registou um dos piores resultados do ano e o português PSI20 acompanhou a tendência. O principal índice nacional caiu esta quarta-feira 1,5%, com 14 títulos no vermelho e apenas cinco a negociar em alta. A maior queda foi a dos CTT, de 6,78%, contudo os que mais pesaram nas perdas foram Galp Energia, BCP e Jerónimo Martins. Esta manhã a bolsa portuguesa voltou a abrir no vermelho, com o PSI20 a negociar com 12 cotadas em baixa, quatro em alta e três inalteradas. Nos mercados europeus o movimento de queda mantém-se e também a Ásia fechou as negociações a perder.

Artigo corrigido às 14:38.

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