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Em Wall Street já há quem veja o petróleo nos cem dólares

Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder
Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder

Bank of America prevê regresso do barril aos cem dólares em 2019. É o primeiro grande banco #de investimento a fazer esta previsão

O petróleo valorizou mais de 50% nos últimos doze meses. E já há entidades a admitir que o ouro negro continue a valorizar e atinja no próximo ano os cem dólares. O Bank of America é o primeiro grande banco de investimento a prever, nesta fase, uma cotação de três dígitos. Os analistas desta entidade, citados pela Bloomberg, admitem que o petróleo poderá atingir aquela marca caso se materializem os riscos sobre a capacidade do Irão e com a Venezuela. A confirmar-se representaria uma subida de mais 30% face à cotação atual, que ultrapassa os 77 dólares, o preço mais alto desde 2014.

As perspetivas de que os EUA imponham novamente sanções ao Irão, devido ao abandono por parte dos americanos do acordo nuclear com o Irão, que produz 4% do petróleo mundial, é grande alavanca da subida. Não existem certezas de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo iria produzir mais para compensar o efeito da quebra da oferta do Irão, que produz nada menos de 3,8 milhões de barris por dia.

Já na Venezuela os receios são de que a severa crise económica que o país atravessa tenha impacto nas infraestruturas necessárias para produzir o ouro negro.

Fim dos preços baixos

Os economistas do banco Berenberg consideram que a evolução dos preços nos últimos 12 meses atestam que se “chegou ao fim dos preços baixos”. Os analistas explicam a subida dos preços dos 50 para os 70 dólares com “o esforço eficaz da OPEP em limitar a sua própria produção”.

Esta organização, a par com outros produtores como a Rússia, acordou em 2016 a limitar a produção, como resposta ao excesso de oferta que existia no mercado e que causou pressão nas finanças públicas dos países que dependiam das exportações do ouro negro.

O Berenberg nota, no entanto, que, “na semana passada, a escalada das tensões no Médio Oriente, centradas na decisão do presidente Donald Trump em retirar os EUA do acordo com o Irão de 2015, impulsionou ainda mais os preços”.

No entanto, contrariamente ao Bank of America, o Berenberg não vê grandes possibilidades de o petróleo atingir os cem dólares desde que sublinham, “as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão não escalem e o Estreito de Ormuz [por onde passa 20% do petróleo a nível global] continue aberto, é improvável que exista uma disrupção no mercado”. E apontam para preços, no máximo de 85 dólares, o que, defendem, “não é uma grande preocupação já que a maioria das grandes economias está atualmente a crescer acima da taxa potencial”.

Já se as previsões dos cem dólares se revelarem certeiras isso é sinónimo de problemas. Neil Dwane, responsável pela estratégia da Allianz Global Investors, considerou mesmo que a subida dos preços do petróleo para os três dígitos é o maior risco para a economia mundial.

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