obrigações

Emissão de dívida do Benfica foi a menos concorrida de sempre

A SAD encarnada financiou-se em 45 milhões de euros. Mas atraiu o menor número de investidores neste tipo de operações.

O Benfica alcançou o objetivo de se financiar em 45 milhões de euros. Mas o interesse por dívida da SAD encarnada já foi bem menor. Na operação realizada este mês, o Benfica atraiu 3.256 investidores. Foi o valor mais baixo desde que a SAD liderada por Luís Filipe Vieira divulga o número de participantes neste tipo de operações (na oferta de 2004 esse valor não foi revelado). Já o montante da procura em relação ao valor da oferta foi o mais baixo de sempre.

Na apresentação dos resultados da emissão, o administrador da SAD do Benfica, Domingos Soares de Oliveira, disse, citado pela Lusa, que “houve um emitente, a Sporting SAD, que falhou o reembolso que tinha previsto”.

O responsável do Benfica defendeu que “isto trouxe um fator perturbador destas normais emissões, e refiro-o porque Fernando Gomes, da FC Porto SAD, esteve aqui e já fez essa referência, portanto, para todas as SAD, até para o Sporting, este deve ser um fator relevado no sentido menos positivo do termo. Isso é algo que afeta as emissões obrigacionistas, não tenho a mínima dúvida sobre isso”.

Os especialistas têm alertado para o risco destes instrumentos financeiros. O adiamento do reembolso da obrigação do Sporting foi uma prova desse risco. Na análise a esta emissão do Benfica, a Deco Proteste recordou que “não é em geral ‘fã’ das obrigações das SAD dos clubes de futebol, e não é esta emissão da Benfica SAD que modifica a nossa avaliação”.

Os especialistas da Deco Proteste realçaram que “a instabilidade recente no Sporting foi um aviso que um negócio assente em paixões exacerbadas e desequilíbrios financeiros têm riscos que não podem ser ignorados”.

Benfica já conseguiu captar mais do dobro dos investidores

A Benfica SAD já conseguiu atrair mais de 7.200 investidores numa emissão obrigacionista, mais do dobro dos participantes na oferta deste ano. Em média, desde 2004, cada operação tem mais de 5.200 investidores, um número bem superior ao alcançado pelos encarnados nesta “época” de financiamento.

Número de investidores nas ofertas de obrigações do Benfica:

2018: 3256

2017: 4833

2016: 6838

2015: 5241

2013: 7266

2010: 6270

2007: 3904

A SAD da Luz é a que mais tem intensificado o recurso a estes instrumentos financeiros, de forma a compensar o fecho da torneira da banca. Com a emissão deste mês, que serviu para refinanciar um empréstimo obrigacionista que tinha sido feito há três anos, o Benfica tem emitidos 155 milhões de euros. Esse dinheiro terá de ser reembolsado até 2021.

Até há pouco tempo, as SAD portuguesas tinham apenas um empréstimo obrigacionista ativo. Mas o Benfica leva já três linhas em simultâneo, o que aumenta o risco de refinanciamento. O Porto tem duas, num valor total de 70 milhões.

Quanto maior o valor emitido e a agenda de reembolsos maior o risco de não se conseguir obter procura suficiente para fazer uma nova operação para pagar a anterior. Na oferta deste mês, a procura foi apenas 1,28 vezes superior ao montante que o Benfica necessitava. Foi o rácio mais baixo de todas as emissões feitas pelos encarnados.

Além dos riscos e do possível efeito Sporting, o Benfica tem sido menos generoso nas operações. A oferta deste ano tinha um juro de 4%, o mesmo da emissão do ano anterior. Em 2016, a SAD encarnada propôs um juro de 4,25%. Em 2017 oferecia mais de 7%.

Antes do Benfica, o Porto tinha feito uma oferta de obrigações em maio. Cumpriu o objetivo de se financiar em 35 milhões de euros. A procura ficou 1,87 vezes do montante em oferta, melhor que os 1,31 vezes registados numa emissão feita em 2017. No entanto o número de participantes desceu de 3471 para 3212, apesar de os azuis e brancos terem melhorado o juro oferecido de 4,25% para 4,75%.

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