Emprego

Empresas da bolsa criaram mais de 15 mil postos de trabalho

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As cotadas da bolsa portuguesa criaram mais postos de trabalho em 2017. Mas uma parte significativa desses empregos foi criada fora de portas

O ano de 2017 foi de recuperação das contas das empresas da bolsa. E também de maior investimento, o que acabou por se refletir numa subida no número de trabalhadores. Mas a aposta na internacionalização levou a que parte significativa dos novos postos de trabalho fosse criada lá fora.

As empresas da bolsa tinham mais de 247 mil empregados no final de 2017, uma subida de mais de 15 mil em relação ao ano anterior, segundo cálculos do Dinheiro Vivo baseados nos relatórios anuais. As cotadas que mais pessoas contrataram foram a Jerónimo Martins, a Mota-Engil e a Sonae. Contribuíram com mais de 90% da criação de emprego por parte das empresas do PSI 20. Só elas aumentaram 14 230 o número de funcionários.

A dona do Pingo Doce foi responsável por mais de metade do aumento do número de trabalhadores das empresas da bolsa. Mas a grande fatia foi feita em outros mercados. No total, a Jerónimo Martins criou 7970 postos de trabalho no ano passado, uma subida de mais de 8%. Mas apenas 981 em Portugal, um reflexo da aposta do grupo retalhista na Polónia e Colômbia. Na polaca Biedronka, a Jerónimo Martins aumentou o número de funcionários em mais de 5600; na colombiana Ara a subida foi de 1365.

A empresa ultrapassou em 2017, pela primeira vez na história, a fasquia dos 100 mil funcionários (31 mil em Portugal). A Jerónimo Martins aumentou os custos com pessoal em mais de 13% para 1,3 mil milhões de euros. Ainda assim, a média do custo por trabalhador é das mais baixas do PSI 20 (pouco mais de 13 mil euros por ano).

O aumento do número de postos de trabalho foi um reflexo da continuação de investimento da empresa. Na mensagem aos acionistas, Pedro Soares dos Santos explicou que o grupo investiu 724 milhões de euros. Cerca de metade desse investimento teve como destino o mercado polaco. Para 2018, o líder da Jerónimo Martins promete “continuar a investir fortemente”.

As apostas da Mota e Sonae

Além da retalhista, também na construção houve um reforço de funcionários. E, mais uma vez, essa aposta foi feita em mercados externos. A Mota-Engil aumentou o número de trabalhadores em mais de 4500. Chegou a um total de 29 860.

Essa subida é explicada, quase exclusivamente, pelo aumento de funcionários na América Latina e em África e por trabalhadores que não entraram para o quadro. Apesar da subida superior a 17% no número de trabalhadores, os custos com pessoal da empresa agravaram-se apenas 2,5%. Em média, por cada trabalhador o encargo da empresa é de cerca de 18 mil euros.

A aposta naquelas geografias é justificada pela subida da atividade que a construtora tem tido tanto na América Latina como em África. As vendas e prestações de serviços nestas duas geografias tiveram aumentos de 30% e 20%, respetivamente, para 960 e 860 milhões de euros.

A Sonae fecha o pódio das cotadas que mais aumentaram o número de trabalhadores em 2017. A dona do Continente criou 1755 postos de trabalho no ano passado. E, entre as cotadas da bolsa nacional, é a maior empregadora dentro de portas. Mais de 40 400 do total de 43 757 trabalhadores estão alocados em Portugal, o que leva a empresa a definir-se como “um dos maiores empregadores” do país.

EDP reduz funcionários

A maioria das empresas do PSI 20 reforçou o número de funcionários. Mas houve exceções a esta tendência. A EDP foi a empresa que mais baixou na força de trabalho, com uma diminuição de 335 funcionários para 11 657. A empresa liderada por António Mexia tem em curso um programa de redução de efetivos que abrangeu 145 trabalhadores.

Galp, NOS e REN tiveram descidas mais moderadas no número de funcionários. E, na banca, o BCP diminuiu 80 postos de trabalho a nível consolidado para 15 727. No entanto, na atividade internacional o banco aumentou em mais de 60 trabalhadores para 8538. De resto, a ordem foi para contratar.

A Corticeira Amorim aumentou o número de funcionários em 646 para 4248. Essa subida é justificada, em parte, pela compra de novos negócios, como o grupo francês Bourrassé, que contava com mais de 400 trabalhadores. Mas também pela expansão da própria Corticeira. A empresa disse, no relatório anual, ter “registado um número recorde superior a 450 admissões ao longo do ano”. Já as saídas foram de 330 pessoas.

Também a Ibersol, que opera restaurantes como Burger King e a Pizza Hut em Portugal, reforçou em cerca de seis centenas no número de trabalhadores. O quadro de pessoal é já de 9700. Os CTT, apesar dos programas de cortes de pessoal, aumentaram o número de funcionários em 14 no ano passado para um total de 12 163. Isso devido à compra da Transporta, que trouxe 139 funcionários para a empresa. Também no Banco CTT tem havido reforço, com o quadro de pessoal a aumentar de 162 para 184 funcionários.

Na indústria, também houve criação de empregos. A Navigator e a Altri subiram o número de funcionários. E a F. Ramada, do setor dos aços, aumentou a força de trabalho em mais de 30% para 641 trabalhadores.

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