Empresas do PSI 20 têm quase o dobro dos lucros do ano passado

A EDP foi a campeã dos lucros trimestrais

O arranque de 2015 dificilmente podia ter corrido melhor para as contas das empresas cotadas na Bolsa. As 15 empresas que integram o PSI 20, e que já revelaram as suas contas ao mercado, fecharam os primeiros três meses do ano com um lucro conjunto de quase 850 milhões de euros, o dobro do verificado no primeiro trimestre de 2014.

Mais concretamente, até março somaram um resultado líquido de 847 milhões de euros, uma subida de 96%, qualquer coisa como 414 milhões. Na altura em que os cálculos foram feitos ainda não tinham sido revelados os resultados da Mota-Engil (só foram conhecidos ontem à noite), enquanto que a PT SGPS e a Teixeira Duarte estão agendados para 29 deste mês.

Depois de vários trimestres a serem o “calcanhar de Aquiles” das contas da Bolsa, os três bancos cotados passaram de prejuízos a lucros, dando um forte contributo para o somatório final. BCP, BPI e Banif alcançaram números positivos de 108 milhões de euros até março, quando há um ano os prejuízos ascenderam a 185 milhões.

Ainda assim, nada de novo no pódio das cotadas com os lucros mais elevados: a primeira posição voltou a ser ocupada pela EDP, com 297 milhões de euros, embora a maior valorização nos lucros (189%) pertença à Altri, que beneficiou da queda do euro para potenciar as suas exportações de pasta e papel.

A análise feita pelo Dinheiro Vivo aos restantes indicadores financeiros permite concluir que na base do crescimento das contas trimestrais das principais empresas cotadas na Bolsa esteve o aumento das receitas, mas igualmente uma redução da carga fiscal e também do elevado endividamento.

Contas feitas, as receitas das 15 empresas em análise totalizaram os 15,6 mil milhões de euros, um crescimento de 3% – ou de 395 milhões – face aos 15,2 mil milhões registados nos primeiros três meses do ano passado. Mais uma vez, a EDP foi a que mais contribuiu, com a empresa presidida por António Mexia a acumular receitas de 4,1 mil milhões, acompanhada pela Galp Energia, com 3,9 mil milhões, e pela Jerónimo Martins, com 3,2 mil milhões.

Apesar da subida de lucros, os cofres do Estado não engordaram com os impostos pagos pelas cotadas. Pelo contrário, já que a carga fiscal emagreceu 5%, totalizando apenas 324 milhões de euros. Na prática, foram menos 18 milhões que as empresas da Bolsa pagaram em impostos. E, ainda que ligeira, a dívida líquida das cotadas recuou em 374 milhões de euros nos primeiros três meses, embora continue acima do patamar dos 29 mil milhões.

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