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Empresas portuguesas são mais generosas do que as europeias

Euronext Lisboa. Fotografia: Global Imagens
Euronext Lisboa. Fotografia: Global Imagens

Ao todo, as cotadas portuguesas vão pagar aos acionistas 2385 milhões de euros, 70% do lucro gerado em 2017.

As empresas do PSI 20 fazem um esforço financeiro maior do que as europeias na hora de remunerar os acionistas. Nas próximas semanas, as cotadas nacionais deverão distribuir cerca de 2385 milhões em dividendos. Em média, destinam cerca de 70% dos lucros para remunerar os acionistas. Mas há empresas que vão dar a totalidade ou até um valor superior aos ganhos obtidos no ano passado.

Esse esforço para agradar aos acionistas preocupa os analistas. “Algumas empresas vão distribuir a totalidade dos seus lucros contribuindo para que o rácio de distribuição de dividendos quando comparado com os resultados obtidos seja bastante elevado”, explica Pedro Lino. O administrador da Dif Broker salienta que “no caso das empresas cuja atividade operacional está estagnada, ou cujo negócio irá necessitar de forte investimento, esta distribuição excessiva de dividendos poderá pôr em causa a sua competitividade futura”.

Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa, observa que tradicionalmente as cotadas nacionais distribuem uma percentagem elevada dos lucros aos acionistas. E compara com a proporção no índice que agrupa as 600 cotadas mais representativas das bolsas europeias: “Na Europa, tendo como referência o índice Stoxx 600, os dividendos pagos foram, em média, 53% dos lucros nos últimos 18 anos, mas têm subido nos últimos dois anos e em 2016 alcançaram um payout de 58%”.

Nos EUA esse rácio é ainda mais baixo. “O payout médio ronda os 38%”, explica Pedro Lino. Refere que “esta diferença face às empresas europeias se justifica pelo facto de as empresas americanas privilegiarem a recompra de ações próprias”.

Quando o dividendo é superior ao lucro

Na bolsa portuguesa existem várias empresas que utilizam o lucro quase todo para remunerar os acionistas. E há casos em que o resultado líquido não é suficiente para pagar a generosidade das administrações com os investidores, casos dos CTT, NOS e Sonae Capital. A Mota-Engil ainda não anunciou o dividendo, mas as estimativas dos analistas sondados pela Reuters, também apontam para um valor superior ao lucro. Jerónimo Martins e F. Ramada destinam todo o resultado gerado para dividendos.

Ainda assim, nenhuma bate os CTT. A empresa de correios tem o maior dividendo face aos resultados. Vai dar mais do dobro do lucro obtido. O presidente da empresa, Francisco Lacerda, explicou essa opção para respeitar os compromissos já assumidos e garantiu que a empresa não se iria endividar para dar dividendos.

No entanto, Filipe Rosa explica que “para se pagar mais do que aquilo que se recolheu em lucros durante o ano é preciso recorrer às reservas, se existirem, que se vão delapidando, ou a financiamento. Em ambos os casos é uma política apenas para atrair investidores que procuram empresas com dividendos elevados e que passado uns anos, quando não se puder pagar dividendos dessa dimensão ou não gerar resultados para tal, vendem a sua posição”.

Pedro Lino deixa um aviso para o pagamento recorrente de dividendos acima dos lucros: “A história da bolsa portuguesa ensina que as empresas que distribuíram mais do que os seus resultados tiveram um final infeliz.”

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