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Especuladores atacam ações dos CTT

Francisco Lacerda, Vice-Presidente e CEO dos CTT.
Francisco Lacerda, Vice-Presidente e CEO dos CTT.

A empresa de correios está sob pressão, após a quebra nos resultados e também nos dividendos. As apostas na descida das acções aumentaram.

Os fundos especulativos que apostam na descida das ações estão a atacar os CTT, o que pode ter pressionado ainda mais a cotação da empresa. O aumento das posições que lucram com as quedas das ações aconteceu logo na sessão seguinte à empresa ter apresentado os resultados até setembro. Os CTT sofreram uma descida de 57,6% do lucro para 19,5 milhões de euros. E anunciaram um corte de 20% do dividendo para 0,38 euros, após terem revisto em baixa as perspetivas para a evolução dos resultados.

O mercado reagiu negativamente. As ações tiveram a pior sessão de sempre a 1 de novembro, com uma descida de 21%. No acumulado da semana, os CTT perderam 225 milhões de euros de valor de mercado. Estão em mínimos históricos. E há quatro entidades com posições relevantes a lucrar quebra das ações, segundo dados da CMVM.

A BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, duplicou a aposta na descida, tendo agora uma posição curta equivalente a 1,02% do capital dos CTT. Também a JPMorgan Asset Management aproveitou a sessão fatídica de 1 de novembro para abrir uma posição desse tipo, correspondente a 0,53% do capital dos CTT. A aposta mais elevada na queda pertence à Marshall Wace, uma gestora britânica. E também a Connor, Clark & Lunn está a tentar aproveitar os tempos difíceis que a empresa atravessa.

Os dados tornados públicos pelo regulador financeiro apenas incluem entidades com apostas na descida que ultrapassem os 0,50% do capital da empresa. Poderão existir outros fundos a apostar na quebra, mas com posições abaixo daquele patamar. Para ganhar com as descidas, estas entidades pedem acções emprestadas em troco do pagamento de uma comissão. Vendem-nas imediatamente e recompram-nas mais tarde para as devolver a quem as emprestou. Se a cotação descer nesse período, ganham com essa diferença.

O ataque dos fundos especulativos acontece numa altura em que os analistas aparentam ter também perdido a confiança. O Haitong tirou a empresa da lista das preferidas. Pior, cortou a estimativa que tinha para o preço das acções de 6,50 para 3,90 euros. Os títulos valiam, no fecho de ontem, 3,561 euros. Também o CaixaBI ajustou as avaliações. E apesar de no longo prazo ainda dar uma recomendação positiva, reconhece, numa nota citada pela Reuters, que “a ação atravessa um mau momento e não se vislumbram catalisadores positivos no curto prazo”.

Para responder a esta pressão, a gestão dos CTT prometeu um aprofundado plano de corte de custos. Mas para o Haitong, a administração não conseguiu alterar a perspetiva negativa dos investidores.

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