Petróleo

Fim do petróleo barato? Analistas dizem que vem aí nova queda de preços

Fotografia: Reuters
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Economia a arrefecer e regresso dos EUA à exploração vão pressionar preço, que chegou a máximo de sete meses, perto de 50 dólares

O petróleo está a um pequeno passo de atingir a barreira dos 50 dólares o barril. Os preços, atualmente a negociarem nos 49 dólares, já subiram 27% neste ano e acumulam uma valorização de 80% desde os mínimos de 13 meses atingidos em janeiro de 2015. Será este o fim do petróleo barato? Não, dizem os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo, alertando para a falta de sustentabilidade da recuperação recente dos preços, apesar de Agência Internacional de Energia ter previsto um aumento do consumo para 1,2 milhões de barris por dia este ano, o que faz acreditar num maior equilíbrio oferta/procura. E avisam que os países economicamente mais dependentes do ouro negro devem diversificar os seus investimentos.

“As empresas de energias renováveis e as de shale oil [petróleo obtido a partir do xisto betuminoso] regressarão em força ao mercado com cotações na casa dos 40 a 50 dólares o barril e obrigarão novamente os preços a cair, sob a pressão do excesso de produção”, prevê Paulo Rosa. O economista do Banco Carregosa e trader da GoBulling enumera ainda o abrandamento da economia mundial, em especial da chinesa, e a manutenção das quotas de produção por parte da Arábia Saudita como fatores de pressão e travão à subida dos preços.

A opinião é partilhada por Pedro Lino, CEO da corretora Dif Broker, que espera um abrandamento da subida, “uma vez que a partir dos 50 dólares começa a compensar o regresso dos produtores de petróleo de xisto dos EUA ao mercado”. E, além do arrefecimento da economia mundial, lembra ainda o facto de “grande parte do crescimento da procura por energia estar já a ser colmatada por renováveis”.

Os receios de possíveis interrupções na produção da Nigéria devido aos ataques militares a infraestruturas petrolíferas, os incêndios devastadores no Canadá, que arrasaram a indústria petrolífera na região de Fort McMurray, o caos político que se vive na Venezuela e a revisão em alta das previsões de consumo feitas pelo banco de investimento Gold-man Sachs – que previu um défice da oferta já em maio e reviu em alta as projeções de preços – foram os ingredientes para a rápida subida dos preços.

O mercado está também a corrigir-se do exagerado sentimento negativo do arranque do ano, quando o preço atingiu mínimos de 26 dólares o barril, em resultado da quebra da procura e da “guerra” de produção pelo controlo do mercado entre a Arábia Saudita, à frente do cartel da OPEP, e os EUA. Riade inundou o mercado, sacrificando o preço – e os orçamentos de muitos países produtores – para tentar acabar com a concorrência das companhias de shale oil norte-americanas.

Agora, explica a equipa de research do BiG, “houve uma correção do excedente na oferta, em resultado dos cortes nos investimentos realizados pelas grandes petrolíferas [os planos passaram por milhares de despedimentos] e falências de alguns produtores com estruturas de custos insustentáveis”.

A recuperação do preço do petróleo foi um balão de oxigénio para muito países produtores que dependem fortemente das receitas das exportações de crude para equilibrar os orçamentos. A Venezuela e Angola vivem atualmente uma forte crise financeira económica e cambial decorrente da quebra das receitas da exportação de petróleo, recorrendo à emissão de dívida para garantir o funcionamento do Estado e a concretização de vários projetos públicos.

Para evitar surpresas neste ano, os principais exportadores de petróleo decidiram ser mais conservadores e cautelosos e, nos Orçamentos de Estado para este ano, reviram fortemente em baixa a previsão do valor do barril que servirá de base às suas exportações.

“Estes países não adaptaram as suas economias no sentido de diversificarem os rendimentos e, pelo contrário, aumentaram a despesa pública com base em receitas futuras desta matéria-prima”, explica Pedro Lino. “É necessário uma reestruturação destas economias e nem a subida do preço do petróleo para os 50 dólares irá conseguir trazer a recuperação ambicionada”, tanto mais que muitos destes países têm custos de produção muito elevados. “A escalada dos preços alivia os orçamentos, mas não traz espaço para investimento noutras áreas.” Paulo Rosa avisa que países como Angola e a Venezuela “só poderão recuperar quando diversificarem as economias, caso contrário permanecerão em contração económica”.

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