Há novo alerta de crise. Desta vez é do Société Générale

Cenário poderá ser semelhante ao registado em 2008, quando a crise financeira começou nos Estados Unidos

"Vendam tudo". Esta foi a sugestão dada na terça-feira pelo Royal Bank of Scotland (RBS) numa nota aos analistas em que alerta para uma crise financeira semelhante à de 2008. O mesmo alerta foi deixado poucas horas depois pelo especialista do Societé Générale Albert Edwards numa conferência realizada em Londres.

"Os acontecimentos na economia mundial vão atirar os Estados Unidos de novo para uma recessão. A crise financeira vai regressar e vai prejudicar tal como aconteceu em 2008/2009 e vai ser muito dura", alertou em declarações citadas pelo jornal The Guardian.

O alerta foi deixado no dia em que o Brent, o petróleo que serve de referência para as importações portuguesas, ficou pouco acima do patamar dos 30 dólares por barril. "Pode ficar tudo pior? Claro que pode", acrescentando que "as moedas dos mercados emergentes continuam em queda livre" e que o setor empresarial norte-americano "está a ser penalizado pela valorização do dólar".

A moeda norte-americana tem valorizado à boleia da subida da taxa de juro em meados de dezembro, determinada pela Reserva Federal (Fed) depois de analisar os dados económicos. Mas Edwards considera que a maior economia mundial vive um momento de "forte expansão de crédito, que não serve para a economia real mas sim para programas de compras de ações".

O especialista acusa mesmo os reguladores "não terem entendido o sistema e de como estão a destruí-lo de novo. A deflação está mesmo à nossa vista e os bancos centrais não a veem", lamenta. A valorização da moeda dos EUA é comparada aos ganhos do iene na década de 90, que atiraram, posteriormente, o Japão para a deflação e que geraram problemas de solvabilidade nos bancos asiáticos.

A questão chinesa também é outro dos fatores que sustentam o pessimismo deste especialista. O país lida atualmente com uma procura por crédito, que acontece "quando as pessoas perdem a confiança naquilo que os reguladores estão a fazer. Isto é o que vai acontecer na Europa e nos Estados Unidos", adverte.

A situação na zona euro, caso piore, pode "resultar em favor da economia da Alemanha", tendo em conta que países como França, Espanha e Itália não aceitarão a subida do desemprego associada a outra recessão.

Na terça-feira o Royal Bank of Scotland, emitiu um relatório onde alerta para o mau ano que será 2016 – “o ano do cataclismo” nos mercados, segundo a expressão utilizada. “Vendam tudo excepto obrigações de elevada qualidade”, diz a nota assinada por Andrew Roberts, citada pela CNN, que assinala como ativos bons as obrigações norte-americanas e alemãs, mas onde avisa também que, neste momento, não são os ganhos que estão sob ameaça mas sim o próprio dinheiro investido.

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