Petróleo

Irão afunda petróleo para mínimos de 2003

O fim das sanções ao Irão vai injetar mais barris de ouro negro num mercado que apresenta já um excesso de oferta. Preços abaixo dos 28 dólares

Os preços do petróleo afundaram hoje para mínimos de 13 anos, ao negociarem abaixo dos 28 dólares o barril, tudo porque o mercado passará a contar com um novo player: o Irão.

As sanções contra o país foram levantadas este fim-de-semana e tinham penalizado as exportações do Irão em cerca de 2 milhões de barris por dia desde 2011. Agora, o membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vai passar a injetar barris num mercado que já tem excesso de oferta, com exportações que deverão atingir os 500 mil barris diários.

“Este fim de semana foram levantadas as sanções ao Irão, que vigoravam desde meados do ano passado, tornando novamente este país um importante exportador do ativo. É importante salientar o peso relativo de Teerão dentro do cartel dos países produtores de Petróleo”, afirma Pedro Ricardo Santos.

O gestor da XTB Portugal salienta que “se agora ocupa a quarta posição da OPEP, o país já esteve em segundo lugar, logo depois da Arábia Saudita. Por isso, os investidores receiam que mais oferta continue a pressionar em baixa as cotações do barril, daí as fortes quedas observadas no último dia da semana passada, bem como na abertura de hoje”.

O excesso de oferta num mercado com falta de procura está a refletir-se nos preços, que hoje afundaram para mínimos de 13 anos. Contas feitas, o petróleo Brent – referência para as importações portuguesas – afundou para os 27,67 dólares o barril, um nível inédito desde 2003. Já o crude negociado em Nova Iorque recuou para os 28,36 dólares o barril, igualmente mínimo de 2003.

“As exportações de petróleo do Irão surgem na pior altura possível”, lamentaram os analistas do Barclays citados pela Reuters, enquanto que Stuart Gulliver, CEO do HSBC, alerta que “os maiores produtores estão a produzir entre 2 a 2,5 milhões de barris por dia acima da procura, pelo que a questão é saber até quando vão continuar a produzir face ao excesso de oferta”.

O Irão já deu indicação ao mercado: vai exportar tudo o que tem. O regime de Teerão ignorou as recomendações de outros grandes produtores de conter as exportações para não inundar o mercado com mais petróleo e confirmou o seu plano de exportar todo o petróleo possível. Resta saber se vai, de facto, passar da teoria à prática.

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