Investimento

Juros baixos levam ações a máximos. Lisboa atrai cem mil para obrigações

Ilustração: Vítor Higgs
Ilustração: Vítor Higgs

Na Europa e nos EUA as bolsas vivem recordes. Na bolsa portuguesa dividendos e dívida rendem.

“Ninguém esperava o que aconteceu nas bolsas em 2019.” Esta frase é repetida por gestores de ativos, analistas e investidores. Não é todos os anos que os índices bolsistas na Europa e nos EUA valorizam mais de 20% na caça ao rendimento, os investidores encontram nos ativos de maior risco, como ações, a saída para compensar as taxas de juro em mínimos históricos.

“O ano ainda não está terminado, e, sem querer gerar mau presságio, parece-nos que os mercados acionistas estão em ótima forma para cortar a meta de 2019”, afirma Rina Guerra, gestora de ações do Banco Carregosa. “Poucos previram este grand finale depois das fortes quedas verificadas no final de 2018, e muito menos que as mesmas fossem mais do que superadas pelos retornos positivos deste ano”, adiantou.

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

As bolsas na Europa e nos EUA somam máximos. Nem o processo de destituição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em curso, ou a confirmação do brexit, desanima os investidores, que continuam a apostar nas ações.

As duas maiores incertezas que existiram ao longo do ano estão clarificadas: o brexit vai mesmo acontecer, e em breve, e a guerra comercial entre os EUA e a China está aparentemente contida.
O resultado é que, na Europa, o índice Stoxx 600 transaciona a um nível recorde e regista uma valorização de 24% desde o início de 2019. Será o terceiro ano melhor em duas décadas. Os outros dois anos foram 1999 e 2009. Ontem foi dia de quadruple witching – por expirarem contratos de futuros e opções sobre índices e ações. O índice europeu subiu ainda mais.

Nos Estados Unidos, o índice acionista S&P 500 soma ganhos de 28%, a melhor performance desde 2013. As ações mundiais – índice MSCI World – somam ganhos de 24%.

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Rendimento na mira

“Portugal e Espanha destacam-se pela negativa”, diz Filipe Garcia, economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros. Em Lisboa, os ganhos são mais tímidos do que nas pares europeias. O índice PSI 20 soma uma subida de 10,7% em 2019. A queda forte do setor da banca penalizou as bolsas de Lisboa e Madrid. O BCP cai mais de 10% em 2019.

Isto apesar de os dividendos chorudos pagos pelas cotadas portuguesas. Em 2019, as empresas cotadas em Lisboa pagaram um total de 2,45 mil milhões de euros em dividendos. A EDP é a cotada que paga mais dividendos – 695 milhões de euros – e distribui 134% do resultado líquido. A Galp Energia pagou 522 milhões, distribuindo 74% dos lucros. No conjunto das cotadas, duas distribuem mais do que os lucros obtidos e oito mais de metade dos lucros.

Segundo a Allianz Global Investors, o montante de dividendos pagos por empresas europeias em 2019 atinge um total de 350 mil milhões. Para a Allianz GI, as cotadas europeias são as mais amigas, na hora de pagar dividendos, do que as cotadas de outros mercados. Na Europa, o rendimento do dividendo ronda os 3,8%. Portugal está acima desta média, com um dividend yield médio superior a 5%.
Para 2020, as estimativas compiladas pela Bloomberg apontam para uma subida de 8,9% dos lucros das empresas do índice Stoxx 600 em 2020, comparando com 9,3% das empresas do S&P 500.
Novos recordes em 2020?

Apesar de os índices bolsistas na Europa e nos EUA estarem em máximos, as casas de investimento continuam a recomendar o investimento em ações em 2020. “A bolsa está um pouco cara. É provável que aconteça uma correção mas não há sinais de que estejamos perto de um crash”, disse Filipe Garcia.
A performance da bolsa portuguesa estará muito dependente do rumo seguido pelas pares europeias. As perspetivas para 2020 são de uma ligeira desvalorização do índice PSI 20, segundo estimativas da Infinox, que tem as energéticas e as retalhistas como preferidas em Lisboa.

Novos recordes podem surgir nas bolsas em 2020, apesar dos desafios, como as eleições presidenciais nos EUA, o abrandamento económico e menos lucros de empresas.

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