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Juros acima de 4%. DBRS desvaloriza impacto no rating

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Dados da inflação num estado alemão estão a pressionar os juros da dívida, sobretudo dos países periféricos, incluindo Portugal

Os juros da dívida portuguesa ultrapassaram novamente a barreira dos 4% esta manhã. Os juros da dívida a 10 anos tocaram máximos de 2014 e ficaram acima dos 4,2%, estando às 11h20 em 4,188%.

Apesar da subida acima dos 4%, a DBRS, a única agência de notação financeira que mantém o rating de Portugal acima de lixo, permitindo o acesso ao programa de compra de ativos do BCE, desvaloriza o impacto do aumento na revisão do rating.

“É improvável que um determinado nível de yield da dívida leve automaticamente à revisão em baixa do rating de Portugal”, diz ao Dinheiro Vivo Adriana Alvarado, analista da DBRS que cobre Portugal.

“Olhamos para diversos indicadores – e as yields são apenas um dos indicadores – e olhamos para o longo prazo”, explica a analista. “Além disso, a maturidade relativamente longa da dívida pública significa que o impacto de taxas mais elevadas nos custos dos juros será gradual”.

“Outros fatores que é preciso ter em conta é a gestão da dinâmica da dívida pública e o excedente do saldo primário e o crescimento. Neste sentido, o rating pode ser pressionado se se deteriorar o outlook para a sustentabilidade da dívida pública”, avisa.

A subida dos juros está a ser impulsionada pelos dados da inflação no estado alemão da Baixa Saxónia. A inflação acelerou 2,3% no ano passado, um valor que antecipa que a inflação também poderá aumentar nos outros estados do país e que deverá fazer aumentar a pressão junto do BCE para acabar com o programa de compra de ativos.

Por isso mesmo, os juros da dívida estão a agravar, sobretudo nos países periféricos como Portugal, onde sobem em todas as maturidades, em Espanha e em Itália.

O Governo tem estado atento à subida dos juros da dívida mas frisou que o financiamento está controlado. “Temos uma almofada de liquidez que é grande o suficiente para enfrentar o ano numa posição confortável”, afirmou à Bloomberg no final da semana passada.

[atualizada às 11h26 com comentário da DBRS]

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