Juros negativos recorde para Portugal no primeiro leilão após saída de "lixo"

Portugal colocou 1750 milhões de euros junto do mercado, o valor máximo pretendido para este leilão

Portugal conseguiu emitir dívida a juros negativos recorde no primeiro leilão depois da saída do rating do nível de 'lixo' por parte da agência Standard & Poor's (S&P). Esta quarta-feira, o Tesouro nacional realizou um leilão duplo de Bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses no qual obteve um total de 1750 milhões de euros, o valor máximo pretendido.

No prazo a seis meses, foram colocados 500 milhões de euros. A taxa de juro média foi de -0,363%, o que compara com os -0,292% registados a 19 de julho, e a procura ficou 2,83 vezes acima da oferta.

A 12 meses, foram colocados 1250 milhões de euros. A taxa de juro média fixou-se em -0,345%, o que compara com os -0,259% verificados na mesma data e também no mesmo prazo. A procura superou 2,1 vezes a oferta.

Esta foi a primeira ida de Portugal aos mercados após a S&P, uma das principais agências de rating norte-americanas, ter colocado Portugal no primeiro patamar de investimento. O rating da dívida da república portuguesa passou de BB+ para BBB-, com perspetiva estável.

A S&P foi a primeira das três grandes grandes agências de rating – Moody’s, Fitch e S&P – a retirar a República de território de lixo desde que o país foi colocado naquele nível em 2011, em plena crise de dívida.

A subida do rating de Portugal para nível de investimento por parte de uma das três grandes agências de notação financeira a nível mundial é um sinal significativo para os investidores.

Alguns tipos de fundos de investimento e investidores institucionais passam agora a poder comprar dívida soberana portuguesa. Quer a curto quer a longo prazo, conforme afirma Steven Santos ao Dinheiro Vivo: "Embora o upgrade da S&P tenha mais impacto na zona longa da curva de rendimentos (yield curve), as colocações a curto prazo também beneficiam, como mostra o duplo leilão de hoje".

Os juros das Obrigações do Tesouro lusas têm baixado nos últimos dias. A 10 anos, a taxa de juro situa-se atualmente nos 2,387% e encontra-se em mínimos de dezembro de 2015.

O gestor do BiG lembra, no entanto, que as operações de curto prazo "têm um peso residual no financiamento líquido do Estado e visam refinanciar Bilhetes do Tesouro que vão vencendo".

(Notícia atualizada às 11h20 com comentário de Steven Santos, gestor do BiG)

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de