Luanda Leaks

Luanda Leaks: CMVM iniciou “ações de supervisão” sobre NOS, Galp e auditores

Gabriela Dias,  presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)
Gabriela Dias, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)

A CMVM fez pedidos de informação junto das empresas expostas a Isabel dos Santos e também de auditores relacionados com o caso Luanda Leaks.

O polícia da bolsa portuguesa iniciou, “nos últimos três dias”, ações de supervisão concretas junto da NOS, Galp Energia e auditores, na sequência do caso Luanda Leaks relativo à empresária angolana Isabel dos Santos.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pediu informações tanto àquelas empresas cotadas como aos auditores e Revisores Oficiais de Contas relacionados com o caso Luanda Leaks.

“A CMVM está a acompanhar com muita atenção e ação (o caso Luanda Leaks)”, afirmou Gabriela Figueiredo Dias, presidente da CMVM, esta quinta-feira, na apresentação das ‘Prioridades da CMVM 2020’.

Destacou que “o conjunto de informação que surgiu nos últimos dias na comunicação social é de uma riqueza enorme”, adiantando que a CMVM está a “a atuar, com recato”.

“A CMVM iniciou já ações de supervisão concretas”, disse a presidente da CMVM. “Estamos a atuar há três dias”, disse. “Estamos a pedir esclarecimentos. Estamos a obter a informação”, que, será analisada para “perceber se há outras medidas que vamos adotar ou não”.

Segundo a presidente da CMVM, “está tudo em aberto”, em termos de consequências para as empresas cotadas e auditores. “Pode levar a multas, sanções, perdas de idoneidade” ou ao “revogar de autorizações”, consoante as situações e entidades.

Frisou que a CMVM está a agir mantendo um diálogo ativo com os restantes reguladores, como o Banco de Portugal.

Documentos investigados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação revelaram que Isabel dos Santos terá desviado dinheiro de uma conta da Sonangol. Esta é apenas uma das situações expostas pela investigação, cujos resultados começaram a ser noticiados no passado domingo.

A filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, foi constituída arguida pelas autoridades angolanas, por suspeitas de gestão danosa e desvio de fundos, num processo que envolve outros arguidos, nomeadamente Paula Oliveira, administradora da NOS. São também arguidos Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da Sonangol, Mário Leite da Silva, gestor de Isabel dos Santos e presidente do Conselho de Administração do BFA demissionário e Nuno Ribeiro da Cunha, gestor de banca privada do EuroBic, que foi encontrado morto esta quinta-feira.

Isabel dos Santos é parceira da Sonae na holding Zopt, que é o principal acionista da NOS. A empresária angolana é também acionista da Galp Energia de forma indireta. Além das empresas cotadas, Isabel dos Santos é a principal acionista do banco EuroBic e detém a Efacec.

Atualizada às 13H27 com mais informação

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