Lucro das empresas da Bolsa engordou 442 milhões

A EDP foi a campeã dos lucros em 2014
A EDP foi a campeã dos lucros em 2014

O estado da saúde financeira das empresas cotadas na Bolsa de Lisboa já é conhecido. O fecho das contas de 2014 ficou ontem completo com a apresentação dos números da Mota-Engil - tudo somado, as empresas que atualmente integram o PSI 20 registaram lucros de quase 2 mil milhões de euros no último ano, uma subida de 442 milhões de euros, mais 29% face aos 1,5 mil milhões arrecadados em 2013. São 5,4 milhões de lucros por dia.

Os dados compilados pelo Dinheiro Vivo não incluem os números da Mota-Engil, a última empresa a apresentar as contas anuais que até ao fecho da edição ainda não tinha reportado os seus números, e deixam de fora a PT SGPS, que além de não ter atividade operacional e deter apenas a participação da brasileira Oi e a dívida da Rioforte, não indicou ainda quando irá apresentar as contas.

A contribuir positivamente para o crescimento conjunto dos resultados estiveram a Impresa e os CTT, ao registarem a maiores variações percentuais, 67% e 27%, respetivamente. Em sentido inverso, o sector financeiro foi o que mais pesou negativamente nas contas anuais das empresas do PSI 20. Juntos, o BCP, o BPI e o Banif fecharam 2014 com prejuízos de 675 milhões de euros, ainda assim uma melhoria face aos 1,1 mil milhões negativos de um ano antes.

A energia continua a ser a campeã dos lucros. EDP, EDP Renováveis, Galp Energia e REN terminaram o ano passado com ganhos globais de 1,65 mil milhões de euros, umaumento de 5%. A fatia de leão pertenceu à companhia liderada por António Mexia – a EDP arrecadou os maiores lucros da Bolsa e foi mesmo a única empresa cotada a registar um resultado líquido positivo acima da barreira dos mil milhões deeuros.

A melhoria dos resultados das empresas cotadas no PSI 20 não foi acompanhada, na mesma proporção, pela componente das receitas, que acabou por terminar inalterada: 65 mil milhões de euros. O pódio neste item financeiro é ocupado pela Galp, EDP e pela Jerónimo Martins, todas com receitas superiores a dez mil milhões de euros. O Banif e a Impresa surgem na outra ponta do icebergue, com valores abaixo dos 500 milhões.

No entanto, o aumento dos lucros refletiu-se num consequente agravamento, de dois dígitos, da carga fiscal paga pelas empresas da Bolsa. Depois de em 2013 terem contribuído com 860 milhões de euros para os cofres do Estado, no ano passado as empresas que integram o principal índice da Bolsa de Lisboa pagaram 1,14 mil milhões de euros em impostos, o que significa uma subida de 32%. O sector energético foi o principal responsável e contribuidor para as receitas fiscais do Estado, com o pagamento anual de impostos superiores a duzentos milhões de euros.

E, apesar de se ter mantido relativamente estável face a 2013, o endividamento das empresas da Bolsa continua a ser alarmantemente elevado: uns impressionantes 30,2 mil milhões de euros. A EDP volta a destacar-se ao ser responsável por mais de metade deste montante, ao registar uma dívida líquida de 17 mil milhões de euros.

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