Coronavírus

Mercados resistem apesar dados económicos mais fracos desde a Grande Depressão

(Foto Frank Rumpenhorst / dpa / AFP) / Germany OUT
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Os estímulos económicos dos bancos centrais dão algum suporte e confiança aos investidores.

À medida que países iniciam o desconfinamento e os bancos centrais continuam a anunciar estímulos económicos e taxas de juro a zero, a confiança nos mercados financeiros está a melhorar, graças a medidas de apoio a famílias e a empresas anunciadas por governos. A tendência consegue ofuscar os piores dados macroeconómicos registados desde a Grande Depressão de 1929: só nos Estados Unidos, “os pedidos de emprego semanais a atingiram em nove semanas consecutivas, desde 21 de março, os 38,5 milhões, numa força de trabalho dos EUA que ronda os 160 milhões”, lembrou Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa.

“A conclusão e o diagnóstico da economia na pós-pandemia são fáceis de fazer: as economias com setores mais defensivos [farmacêutico e de saúde, tecnológico, consumo básico, construção] irão ter quebras pouco significativas no Produto Interno Bruto (PIB) e no nível de emprego”, disse o economista. “As economias mais dependentes do setor do consumo discricionário, do turismo, das viagens & lazer, hotelaria e restauração serão as mais penalizadas no PIB e na taxa de desemprego”, adiantou.

No caso de Portugal, o país tem uma “relativa dependência do setor do turismo, da restauração, da hotelaria, e a economia portuguesa será das mais penalizadas na zona euro”. Mas as compras de dívida soberana por parte do Banco Central Europeu dão algum suporte às taxas de juro das Obrigações do Tesouro da República portuguesa.

No caso das ações, o cenário é diferente. Alguns títulos, como o Millennium bcp, acumulam descidas superiores a 50%. O PSI-20, o principal índice bolsista nacional, acumula uma desvalorização de quase 20% desde o início do ano.

Está em linha com a queda de cerca de 20% do índice europeu Stoxx 600. Nos EUA, o índice S&P 500 recua 9%. Apesar das perdas registadas desde o início do ano, as bolsas têm assinalado recuperações depois dos grandes tombos devido ao confinamento forçado da população decidido por governos, incluindo em Portugal. As medidas adotadas pelas autoridades para fazer face à epidemia do novo coronavírus levaram o desemprego a disparar, empresas a fechar e o consumo a congelar em alguns setores, como o automóvel. A proibição de viajar entre países, afetou as companhias aéreas. Os bancos já registam perdas de lucros. Em Portugal, quatro dos maiores bancos perderam 220 milhões de euros em lucros no primeiro trimestre. Mas alguns factores têm ajudado os mercados a recuperar.

“Esta semana, na Europa, o mercado recebeu com significativa satisfação o acordo alcançado entre a Alemanha e a França para um fundo de recuperação de 500 mil milhões de euros a fundo perdido para enfrentar os danos causados pela pandemia Covid-19″, lembrou Paulo Rosa. Nos EUA, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmaram que o governo e o banco central estão a considerar mais medidas para garantir que as áreas mais atingidas da economia recebam apoio adequado. “Em súmula, os mercados estão a capitalizar os estímulos monetários e orçamentais que vão aparecendo para reduzir o impacto negativo da Covid-19. Mas assistimos a uma recuperação dos mercados, enquanto as pequenas empresas se debatem com problemas de solvabilidade”, salientou o economista.

Entre os setores que têm beneficiado com as medidas adotadas para lidar com a epidemia está o da tecnologia. As empresas dos setores de consumo básico tiveram picos nas vendas online. As receitas da Walmart subiram mais de 70%. Empresas ligadas ao teletrabalho, como a Zoom, também beneficiaram. “Muitas aplicações tiveram um crescimento exponencial de downloads: Chats e vídeo [+ 1485%], fitness em casa [+ 288%], compras [+ 214%] e comércio eletrónico [+ 116%]”, frisou Paulo Rosa. Os canais diretos ao consumidor conheceram um aumento semelhante. Quanto às As FAAMG (Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google), que correspondem a mais de 20% do S&P500, registam ganhos de 10% desde o início do ano.

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