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Merlin aposta em Portugal e vai propor dividendo de 32 cêntimos

MerlinBell

Na entrada em bolsa, o presidente executivo da Merlin Properties afirmou que Portugal está mais interessante do que Espanha.

O presidente executivo da sociedade gestora de imobiliário espanhola Merlin Properties irá propor na próxima assembleia-geral o pagamento de um dividendo de 32 cêntimos, valor que somará aos 20 cêntimos já pagos. “Para 2019 [o dividendo] serão 52 cêntimos, a contar com os 20 cêntimos que já pagámos”, precisou Ismael Clemente, em declarações aos jornalistas no final na sessão de celebração da admissão da Merlin Properties na Euronext Lisboa, estando o início da negociação das ações marcado para esta quarta-feira, dia 15 de janeiro. A proposta será levada a assembleia-geral em abril.

“Portugal está neste momento numa fase mais interesse para os investidores internacionais”, sublinhou ainda o responsável, justificando a afirmação: “Espanha tem mais tamanho e liquidez, mas Portugal é neste momento um mercado [imobiliário] mais interessante”.

Com a entrada da Merlin Properties na bolsa de valores de Lisboa, através de dual listing – operação em que as mesmas ações que negoceiam em Espanha passam também a negociar na Euronex Lisbon –, o investidor que comece agora a investir nos títulos da imobiliária terá direito aos 32 cêntimos de dividendos que irão ser pagos. Ismael Clemente referiu que a entrada na praça lisboeta reforçará a visibilidade da empresa em Portugal, numa altura em que cerca de 1% dos seus acionistas já são portugueses.

As sociedades de gestão imobiliária (que em Portugal são conhecidas por SIGI e em Espanha por SOCIMI) seguem o espírito das chamadas REIT – Real Estate Investment Funds, estando obrigadas a distribuir dividendos aos acionistas sobre uma parte dos lucros.

A Merlin Properties detém uma carteira de ativos de cerca de mil milhões de euros em Portugal que inclui vários edifícios de escritórios, a plataforma logística de Lisboa Norte e dois espaços comerciais, incluindo o Almada Fórum e o Monumental. Trata-se da maior empresa imobiliária cotada na bolsa espanhola, com uma capitalização aproximada de 6000 milhões de euros.

Portugal mais interessante

O presidente da Merlin Properties sublinhou ainda esperar que a entrada da empresa na bolsa de Lisboa reforce a relação com os investidores e a “visibilidade” da empresa no mercado português, que considera estar numa fase mais interessante do que o espanhol. Na ocasião, o presidente executivo da Merlin Properties disse ainda esperar que a entrada da empresa na Euronext Lisbon fortaleça a visibilidade da marca no mercado português e reforce a relação com os investidores portugueses.

O valor de referência ou de partida para o arranque da negociação das ações da Merlin Properties nesta quarta-feira, dia 15 de janeiro, é o do fecho da sessão de hoje na praça espanhola (12,37 euros), ainda que, quando a sessão abrir em Lisboa, poderá ter alguma variação face a esta referência devido a ordens de compra e de venda que entretanto já tenham sido realizadas.

O anúncio da entrada da sociedade gestora de imobiliário espanhola Merlin Properties na bolsa de Lisboa foi feito em 09 de janeiro num comunicado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Madrid.

A Merlin é a maior empresa imobiliária cotada em Espanha atualmente, com uma capitalização bolsista superior a 5,9 mil milhões de euros (12,57 euros por ação), valor que a coloca em 24.º lugar entre as empresas cotadas no índice IBEX 35 de Madrid.

Especializada no investimento imobiliário em escritórios, instalações comerciais e de logística, no mercado português a Merlin concentrou a sua atividade de investimento no ano passado principalmente em Lisboa, com a aquisição de três edifícios de escritórios.

Os nove edifícios de escritórios que a empresa tem em Portugal, a par com dois espaços comerciais (o Monumental, em Lisboa, e o Almada Fórum) e da plataforma logística Lisboa Norte, representam cerca de 9% dos ativos globais, mas o objetivo é reforçar o peso do investimento português para os 15% da carteira total.

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia de hoje, Ismael Clemente reafirmou aquele objetivo, salientando que parte será atingida através de crescimento orgânico — reforço do investimento em ativos já detidos, nomeadamente na plataforma logística Lisboa Norte. Haverá também uma parte que será por crescimento inorgânico, ainda que tenha afirmado que os novos investimentos serão feitos de forma “seletiva”.

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