OPA à EDP

Negócio nos EUA não vai estar incluído na OPA à EDP, diz embaixador americano

George E. Glass, embaixador dos EUA em Portugal. Fotografia: Flickr da Embaixada dos EUA em Portugal
George E. Glass, embaixador dos EUA em Portugal. Fotografia: Flickr da Embaixada dos EUA em Portugal

O embaixador dos EUA em Portugal, George E. Glass, alerta que ter outro país a controlar uma infraestrutura crítica é “perigoso”.

Conseguir a luz verde das autoridades americanas é um dos maiores obstáculos à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) à EDP. E o embaixador dos EUA em Portugal promete que a aprovação do negócio no mercado americano não irá acontecer. George E. Glass alertou, numa entrevista ao Observador, que ter outro país a controlar uma infraestrutura crítica é “perigoso”.

O embaixador relembrou que a EDP “também tem ativos muito importantes nos Estados Unidos, no setor das Renováveis, é o terceiro maior fornecedor de energia renovável nos Estados Unidos”. E sublinhou que “esse pedaço não vai estar incluído neste negócio”.

George E. Glass disse que “sempre que temos uma empresa detida por um Estado, nunca iria sugerir que um país pudesse entrar e deter parte da infraestrutura crítica de outro país, seja os Estados Unidos a deter a rede elétrica portuguesa e a rede de abastecimento elétrico de Portugal, seja a China, seja qualquer outro”. Alertou que “ter outro país a controlar parte da infraestrutura crítica é um aspeto perigoso, é um caminho perigoso que se está a trilhar”.

O diplomata refere que é a primeira vez que se está a seguir esse caminho. Reconhece que no passado já se vendeu parte de empresas estratégicas. Mas considera que “deter 25% da Galp, deter 25% da EDP, seja quem for, não há problema. Isso são investimentos. Podem criar influência e as várias entidades podem ter influência”. Já controlar a maioria do capital “é completamente diferente”, diz.

A grande muralha dos EUA

Nas condições para avançar com a OPA, a CTG meteu entre as condições a aprovação do negócio pela Comissão de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS na sigla em inglês) e pela Comissão Federal Reguladora de Energia dos Estados Unidos (FERC). Precisa ainda de luz verde nos outros países em que a EDP opera.

Mas desde o anúncio da oferta que há dúvidas sobre se do lado dos EUA alguma vez haveria luz verde. A CFIUS tem já um histórico de travar investimento chinês. Recomendou ao antecessor de Trump, Barack Obama, que assinasse uma ordem executiva a travar a compra de um parque eólico por parte de uma empresa que tinha tecnologia e investidores chineses. Esse negócio, travado em 2012, foi considerado como uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

E desde que Trump chegou à Casa Branca, a CFIUS tem ganho mais poder. O argumento da segurança nacional tem sido utilizado pelo presidente americano nas disputas com Pequim, que têm levado a receios de que uma guerra comercial. “Esperamos que a CFIUS continue muito ativa numa administração Trump cética sobre a China e a ameaça aos interesses da segurança nacional”, refere uma análise da McDermott Will & Emery, uma sociedade de advogados norte-americana.

Dada a baixa probabilidade de conseguir a autorização para a OPA nos EUA, a Reuters tinha noticiado em junho que a CTG estaria a sondar potenciais interessados nos ativos da EDP nos EUA, que estão agrupados principalmente na Renováveis. Entre os sondados pelas China Three Gorges estariam a italiana Enel, a espanhola Iberdrola, a francesa Engie e as alemãs E.on e RWE.

A Engie e também a dinamarquesa Orsted foram apontadas como potenciais interessadas na EDP Renováveis. Tiveram mesmo de prestar esclarecimentos à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A empresa francesa disse em junho que estava “constantemente a avaliar oportunidades de investimento (…) mas que não tomou nenhuma decisão em relação à EDP Renováveis”. Já a Orsted garantiu que naquele momento “não estava a preparar uma potencial transação”.

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