Investimento

“O petróleo pode atirar o mundo para uma recessão”

Neil Dwane, Global Strategist da Allianz GI.

D.R.
Neil Dwane, Global Strategist da Allianz GI. D.R.

Neil Dwane, responsável pela estratégia da Allianz Global Investors, diz que a subida dos preços do petróleo é o maior risco para a economia mundial.

A subida dos preços do petróleo constitui o maior risco atual para a economia mundial e para os investidores, podendo atirar o mundo para uma recessão, disse Neil Dwane, responsável pela estratégia global da Allianz Global Investors.

Antecipa que “se algo correr mal no Médio Oriente, então vamos ter o petróleo a 100 ou 120 dólares e isso afeta o consumo – não aqui na Europa porque taxamos tão alto o petróleo -, afetaria o consumidor norte-americano, chinês, indiano”.

“O petróleo pode atirar o mundo para uma recessão”, afirmou Dwane aos jornalistas, à margem de uma conferência da Allianz GI, em Berlim, sobre investimento na Ásia, que teve lugar nos dias 7 e 8 de maio.

A subida dos preços do petróleo levaria a um aumento da inflação e teria impacto na política dos bancos centrais a nível global, indicou o responsável da Allianz GI, gestora de cerca de 498 mil milhões de ativos de clientes institucionais e de retalho.

Os futuros dos preços do brent e do crude atingiram o máximo desde novembro de 2014. O preço do barril de brent voltou a subir esta quinta-feira e avança para a maior subida semanal em um mês. Os mercados prepararam-se para uma potencial disrupção na exportação proveniente do Irão devido às sanções dos EUA.

O barril de brent está na casa dos 77, 40 dólares e valorizou 3,5% esta semana, segundo dados da Reuters.
O Irão produz cerca de 4% do petróleo a nível global. Os EUA planeiam impor novas sanções ao Irão depois de terem posto fim a um acordo que estava em vigor desde o final de 2015 em torno do plano nuclear do Irão. À luz desse acordo, o Ocidente levantou as sanções em vigor em troca do Irão parar com o seu programa nuclear. Israel denunciou recentemente alegadas falhas do Irão no cumprimento do acordo, indicando ter provas de que o país manteve o seu programa nuclear.

Guerra comercial preocupa a Europa

Para Neil Dwane, o presidente dos EUA, Donald Trump, está simplesmente a cumprir o que prometeu nas eleições presidenciais, tendo em vista as próximas eleições.

“Penso que há um elemento político por detrás de parte disto. O que é interessante no presidente Trump, é que está a cumprir o que prometeu, aquilo para que foi eleito. Muitas pessoas, tanto na Europa como nos Estados Unidos, esperavam que ele nunca fosse eleito, por isso, o facto de que foi eleito e está a fazer o que prometeu é obviamente uma preocupação para algumas pessoas”, afirmou.

Um dos temas bandeira de Trump é aumentar a produção de bens nos EUA e a Casa Branca tem levado a cabo uma estratégia nesse sentido.

“Ele está a fazer as coisas de forma diferente do que estamos habituados”. Dwane dá o exemplo das sanções contra a Rússia. “A administração Obama usou ações que são fórmulas, sanções genéricas focadas no sistema financeiro. Tornou mais díficil para a Rússia de funcionar porque fechou o acesso ao sistema bancário mundial”. Mas Trump fez diferente. Trump leva as coisas “a um nível pessoal” e foi atrás do maior fornecedor mundial de alumínio. “Em uma semana ele tinha fechado o comércio global de alumínio. Ao levar o tema a um nível pessoal, ele tem sido muito mais eficaz do que as sanções ou qualquer outra coisa que tenhamos visto no passado”, aponta Dwane.

Por isso, acredita que se Trump “realmente quer ir atrás da China, ele pode não pensar como a China versus os EUA” mas atacar empresas, como fez com a ZTE. ” Ele vai pensar a um nível pessoal em vez de a um nível de país. O que para nós investidores torna o mundo um sítio mais perigoso, em termos financeiros certamente, do que aquilo a que temos estado habituados”, afirmou.

No caso da Europa, a Alemanha, a maior economia europeia, é um dos países que mais seria afetado por algum tipo de tensão comercial, já que metade do seu Produto Interno Bruto depende das exportações. Lembrou que a Alemanha tem um excedente de 75 mil milhões de dólares face aos EUA, a maioria carros.

“A União Europeia tem vociferado contra o comportamento do presidente Trump em termos de comércio internacional porque receia até onde é que ele pode ir.”

Estados Unidos da Europa

O estratega da Allianz GI defende que Bruxelas deveria promover uma maior consolidação de empresas na Europa. E deu o exemplo do setor de telecomunicações europeu que conta com 45 grupos comparando com apenas cinco nos Estados Unidos.

“Não há uma mentalidade de Estados Unidos da Europa”, afirmou. Para Neil Dwane, uma maior consolidação em diversos setores seria benéfico para os consumidores e para os investidores, pois traria menores preços e maior eficiência por parte das empresas.

Também comentou o facto de as empresas britânicas estarem a atrair compradores internacionais. Um dos mais recentes alvos foi uma empresa da qual a Allianz GI é acionista, com uma posição de cerca de 1,1%, a Shire, que foi comprada pela nipónica Takeda por 52 mil milhões de euros.

“Representando o Reino Unido numa altura de Brexit, é triste ver uma grande empresa britânica ser comprada por uma empresa japonesa”, disse.

Alertou que o movimento vai continuar, com investidores estrangeiros a olhar para o Reino Unido à procura de empresas para comprar aproveitando os receios em torno do Brexit e à fraqueza da libra.

A jornalista viajou a Berlim convite da Allianz GI

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