OPEP

O que significa a (não) decisão da OPEP

Cartel cumpriu as expectativas e não chegou a um acordo para fixar um limite máximo de produção. Cinco perguntas e respostas para o que aconteceu.

Nada de novo vindo da OPEP. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo cumpriu as expectativas e ontem, pela terceira reunião consecutiva, não chegou a um acordo para fixar um limite máximo de produção.

Nos mercados internacionais, os preços da matéria-prima continuam a negociar acima da fasquia dos 50 dólares o barril, o que poderá significar que a não decisão está a produzir efeitos.

O que aconteceu ontem em Viena?

Os membros do cartel decidiram manter a sua política de produção livre, rejeitando qualquer teto máximo de barris de ouro negro que têm de produzir. A medida agrada ao Irão, que está desejoso de colocar petróleo no mercado depois de, em janeiro passado, terem sido levantadas as sanções económicas.

Para a rival Arábia Saudita, e maior exportador, o que interessa é manter a quota de mercado, mais importante do que a estabilidade de preços. Qualquer decisão de limites máximos de produção só poderá ser tomada na próxima reunião da OPEP, agendada para 30 de novembro, ou num encontro extraordinário que possa ser marcado entretanto.

O que diz o mercado?

Os preços das matérias-primas, com enfoque no petróleo, chegaram a deslizar aquando do anúncio da falha de acordo entre os membros do cartel. No entanto, a queda durou pouco e os preços do ouro negro rapidamente subiram, com o petróleo Brent – de referência para as importações nacionais – a fechar acima dos 50 dólares o barril.

A tendência de ganhos mantém-se hoje, com o Brent a negociar nos 50,11 dólares e o crude negociado em Nova Iorque a subir para os 49,22 dólares. Na prática, isto significa que o mercado está otimista de que os preços poderão continuar a subir, mesmo sem qualquer limite da OPEP num mercado já por si cheio de barris.

Fotografia: Sergei Karpukhin / Reuters

Fotografia: Sergei Karpukhin/Reuters

O que motiva a Arábia Saudita?

A concorrência vinda dos Estados Unidos, via shale oil [petróleo obtido a partir do xisto betuminoso], a rivalidade política e militar com o rival Irão e o pedido do povo árabe por reformas sociais têm pressionado nos últimos anos o reino de Riade. Para isso, foi projetado um plano económico até 2030 que pretende reduzir a dependência orçamental das receitas petrolíferas, aumentar a diversificação de investimentos e a privatização parcial da gigante petrolífera Saudi Aramco, que valerá 35 vezes mais que a Bolsa de Lisboa.

Quais os membros da OPEP que defendem uma redução da produção?

Venezuela, Qatar, Equador e Argélia estão entre os membros que quase imploraram ao cartel para fazer subir os preços através de uma limitação da produção. A razão é óbvia: uma vez que enfrentam graves crises económicas devido aos baixos preços do ouro negro, cujas receitas pesam demasiado nos orçamentos, estes países precisam urgentemente que os preços subam para conseguir ter um balão de oxigénio.

“Percam essa ideia de que a OPEP morreu. A OPEP está viva e vai continuar a ser um elemento fundamental para a economia mundial”

E o que se poderá esperar da OPEP?

A chave do poder da Organização está na cooperação dos seus membros, relativamente às quotas de produção, para prevenir períodos prolongados de crise, de excesso de oferta e de baixos preços do petróleo. Mas a ambição recente da Arábia Saudita renovou as dúvidas sobre a viabilidade do grupo.

É certo que o fim da OPEP, além de desejado por alguns, já foi muitas vezes decretado mas o cartel manteve-se, até agora, de pedra e cal. A somar a isto, tudo indica que a política de produção livre está a dar resultados, não só ao nível dos preços como contra a concorrência. “Percam essa ideia de que a OPEP morreu. A OPEP está viva e vai continuar a ser um elemento fundamental para a economia mundial”, avisou o secretário-geral do cartel, Abdalla El-Bradri.

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