Emissão de obrigações

Obrigações do Sporting: Juro “caro” é “prémio” para compensar turbulência

Frederico Varandas, presidente do Sporting.

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Frederico Varandas, presidente do Sporting. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Francisco Salgado Zenha acredita que a oferta de obrigações vai correr bem e que não será afetada pelos acontecimentos em torno de Bruno de Carvalho.

O Sporting acredita no sucesso da emissão de obrigações para o retalho, que tem em curso, oferecendo uma taxa de juro de 5,25% como prémio para compensar os investidores pela turbulência vivida no clube nos últimos meses.

Segundo Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting e responsável pela área financeira, devido ao juro “caro” desta emissão, não interessa à SAD leonina que o montante final seja muito superior aos 30 milhões de euros anunciados.

O gestor, que se tem desdobrado em entrevistas e declarações aos media, promoveu na tarde desta quinta-feira um encontro com jornalistas no Estádio José Alvalade, para explicar a emissão de obrigações e a situação financeira da SAD do Sporting.

Comparou o juro pago pelo Sporting com o da última emissão de obrigações do Futebol Clube do Porto, que pagou uma taxa bruta de 4,75% para emitir 35 milhões de euros, em junho deste ano. Lembrou que a SAD portista tem uma situação financeira mais débil do que a do Sporting. Mas “sentimos que depois destes meses de turbulência tínhamos que dar um prémio sobre os nossos pares”, afirmou o gestor.

Sobre o ponto de situação da procura na emissão, cujo período de subscrição decorre até ao dia 22 de novembro, não deu detalhes. Mas afirmou: “a nossa convicção é que vai correr bem”.

O Jornal de Negócios noticiou que a procura na oferta de obrigações do Sporting está próxima do mínimo de 15 milhões de euros para que a operação possa realizar-se.

O Sporting está a financiar-se junto de investidores do retalho para reembolsar uma outra emissão de dívida cujo prazo de maturidade foi adiado em maio para o final deste mês.

A emissão do Sporting decorre quando o ex-presidente do clube, Bruno de Carvalho, e o líder da claque verde e branca foram detidos – e posteriormente libertados sob caução – por suspeitas de terem estado envolvidos na invasão da Academia de Alcochete, que resultou em agressões a jogadores e técnicos.

Questionado sobre se estes acontecimentos podem afetar a emissão de obrigações, Salgado Zenha acredita que não.

“Os investidores e os sportinguistas, em geral, distinguem bem a administração anterior (…) e o que é hoje o Sporting, com a administração nova”, afirmou, apontando que o clube segue a detenção de Bruno de Carvalho “como observador”. “Confiamos na justiça”, disse.

O vice-presidente do Sporting sublinhou a recuperação financeira da SAD, esperando capitais próprios positivos e lucros no segundo trimestre que termina em dezembro, que já incluirá os ganhos de 14 milhões de euros com a venda do passe do jogador Rui Patrício.

Sobre a verificação das contas do clube, indicou que a “auditoria de gestão está em curso”. “Provavelmente, não teremos resultados antes de janeiro”, afirmou.

Salgado Zenha garantiu que não encontrou surpresas negativas no clube, em matéria de contas. “Do ponto de vista financeiro não vi nenhum buraco, nenhuma anormalidade”, disse. “Não podemos apagar o passado”, apontou, indicando que a anterior administração fez coisas boas e coisas más, como a tentativa de fazer um empréstimo obrigacionista nos meses de abril e maio.

Sobre o princípio de acordo de reestruturação de dívida que a anterior administração do clube fez com os seus bancos credores, em abril, o vice-presidente do Sporting adiantou que será alterado. “Acordámos conversar com os bancos”, disse Salgado Zenha.

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