OPA EDP

OPA rival à Renováveis pode passar à frente de oferta da China Three Gorges

(DR)
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A EDP Renováveis perguntou à CMVM como seria o procedimento caso surja uma eventual OPA concorrente à da China Three Gorges.

A hipótese de aparecer uma nova Oferta Pública de Aquisição sobre a EDP Renováveis tem ganho força nas últimas semanas. E a eólica perguntou à CMVM se uma eventual OPA concorrente poderia ser registada antes da oferta da China Three Gorges (CTG).

Na resposta a esse requerimento, o supervisor do mercado de capitais esclareceu que “uma eventual oferta concorrente poderá ser registada primeiro do que a oferta inicial, atenta a autonomia entre os procedimentos de registo de cada uma das referidas ofertas, desde que se verifiquem preenchidos primeiro todos os requisitos legais de que aquele registo depende”.

A pergunta da EDP Renováveis foi feita a 3 de julho, com a resposta do supervisor a ser conhecida esta quarta-feira. Dias antes da questão ser colocada pela empresa, a Reuters noticiou que a China Three Gorges, estava a sondar o interesse de gigantes europeias do setor na eólica. Para lançar a OPA sobre a EDP a empresa chinesa teve a obrigação de fazer também uma oferta sobre a EDP Renováveis, já que esta é controlada em 82,6% pela elétrica. E os minoritários da empresa de energias limpas pediram, no final de junho, à administração que clarificasse se era possível uma oferta concorrente ser registada antes da OPA da CTG.

Segundo a agência financeira, entre os sondados estavam a italiana Enel, a espanhola Iberdrola, a francesa Engie e as alemãs E.on e RWE. Na altura, apenas a Engie terá mostrado interesse na EDP Renováveis. Houve outras notícias a indicar que a dinamarquesa Orsted estava a estudar uma compra. A CMVM pediu no final de junho esclarecimentos a essas duas empresas. A Engie disse na altura que “não tinha tomado nenhuma decisão” e a Orsted afirmou que “monitoriza ativamente o mercado”, mas que nesse momento não estava a preparar uma oferta.

Aquando do anúncio da OPA sobre a EDP e sobre a Renováveis, a CTG metia como condição que a operação tivesse luz verde de duas autoridades americanas. Uma delas é a Comissão de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês), que tem travado investimentos chineses nos EUA, tendência que deverá ser ainda mais agravada com a presidência de Trump devido à tensão comercial entre os dois países.

A presença da EDP nos EUA é feita sobretudo através da EDP Renováveis. A elétrica portuguesa tinha no final de 2017 cerca de 20% da sua capacidade instalada nos EUA (quase metade contabilizando apenas energia eólica). É uma das geografias em que a empresa portuguesa mais tem investido. A EDP entrou nos EUA em 2007 com a compra da Horizon Wind Energy à Goldman Sachs. E desde então mais do que duplicou a produção eólica. Encontrar outro comprador para a empresa eólica poderia ajudar a que a OPA sobre a EDP não dependesse da aprovação de reguladores americanos, segundo a Reuters.

O mercado tem dado sinais de esperar uma oferta concorrente. A CTG propôs um preço de 7,33 euros. Os títulos encerraram a sessão desta quarta-feira a valer mais 8,98 euros, mais 22% que a contrapartida oferecida pela empresa estatal chinesa.

Atualizada às 21:04 com mais informação.

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