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Os três homens que mandam nos preços do petróleo

Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder
Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder

Os preços do petróleo estão numa montanha-russa. Já esteve acima de 85 dólares. Vale agora 67 dólares.

Subidas de 20% em pouco mais de um mês. E descidas de dimensão semelhante num curto período de tempo. Os preços do petróleo têm estado numa montanha-russa desde o verão. A responsabilidade é de três líderes que aparentam estar a dominar as expectativas do mercado. E no próximo ano deverão ser os mesmos a ditar o andamento dos preços.

O analista da Bloomberg especialista em petróleo, Julian Lee, considera que o mercado será controlado pelas vontades de Donald Trump, de Vladimir Putin e do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. Mas o especialista salienta, num artigo de opinião, que os objetivos dos três mais poderosos do mercado petrolífero não são coincidentes.

O presidente americano tem pressionado a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que tem a Arábia Saudita como o membro mais influente, a não cortar produção. O objetivo é impedir uma diminuição na oferta que leve a mais subidas nos preços do ouro negro. Trump tem repetido no Twitter essa mensagem.

E as ameaças do presidente americano a Riade têm ganho mais credibilidade junto dos investidores, já que bin Salman está numa posição mais fraca perante o presidente americano devido ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi e à guerra no Iémen. Em Washington, há responsáveis políticos a exigir sanções pesadas a Riade.

Já o objetivo de bin Salman é o oposto. O príncipe saudita quer cortar produção para manter o petróleo em preços que permitam manter o equilíbrio das contas públicas do reino. Riade avançou já com essa decisão depois da cotação do ouro negro ter descido cerca de 20% em um mês e meio, de mais de 85 dólares para menos de 70 dólares.

No passado recente, quando os preços do ouro negro bateram mínimos de mais de uma década, bin Salman aliou-se a Putin para cortes coordenados de produção. No início de 2016, e depois da estratégia falhada da OPEP em produzir o máximo possível para manter quota de mercado e arrasar com a concorrência do petróleo de xisto americano, o barril de brent passou abaixo dos 30 dólares.

Riade, OPEP e Moscovo começaram a negociar um acordo de cortes de produção que permitiu a recuperação dos preços. O preço chegou quase aos 85 dólares no passado mês de outubro. Praticamente que triplicou em menos de três anos. Mas está atualmente em 67 dólares. Baixou depois de a OPEP ter aumentado a produção no verão após a pressão de Trump.

Agora, a expectativa é que o cartel decida na próxima reunião, agendada para dezembro, voltar a fechar a torneira. Mas, desta vez, dificilmente será acompanhada pela cooperação de Putin. “O presidente russo não mostra grande entusiasmo para restringir novamente a produção do seu país. O orçamento de Moscovo é muito menos dependente dos preços do petróleo do que quando a Rússia acordo juntar-se aos esforços da OPEP em reequilibrar o mercado em 2016”, defende Julian Lee.

Segundo o relatório estatístico da BP, EUA, Rússia e Arábia Saudita foram responsáveis por quase 40% da produção mundial de petróleo em 2017. A chave para a evolução dos preços está nas mãos dos líderes dessas três potências.

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