Perfil de Isabel dos Santos: A princesa angolana que é implacável nos negócios

A estrutura acionista da Zon
A estrutura acionista da Zon

Em apenas 48 horas, a empresária angolana Isabel dos Santos reforçou a sua participação em duas das maiores empresas portuguesas, cotadas na bolsa de Lisboa. A partir de agora, a filha do presidente angolano, que é conhecida como “princesa” em Angola, passa a ser a principal accionista da Zon e a segunda maior do banco BPI.

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A empresária é descrita por quem convive com ela de perto como sendo “simpática”, “bonita” e “afável”. Mas os elogios também se alargam ao lado profissional, e as fontes, citadas pelo jornal Público, descrevem-na como sendo “uma boa empresária”, “extremamente dinâmica e inteligente”, “profissional” e uma “dura negociante”.

Isabel dos Santos tem 39 anos e é filha de José Eduardo dos Santos e da sua primeira esposa Tatiana Kukanova, tendo nascido em 1973 na capital do Azerbaijão, Baku, uma antiga república soviética, país para onde o seu pai foi estudar Engenharia de Hidrocarbonetos e onde conheceu a sua mãe.

Mais tarde, na década de 90, a empresária, com uma fortuna avaliada em 170 milhões de dólares pela Forbes, licenciou-se em engenharia electrotécnica em Londres, onde vivia então com a sua mãe, e voltou para Angola para iniciar a sua actividade profissional.

A empresária que é conhecida por pautar pela discrição na sua vida pessoal, é casada com Sindika Dokolo, um coleccionador de arte e empresário congolês, tendo sido educado na Europa. Dokolo é filho de um milionário da República Democrática do Congo e de uma dinamarquesa. O casal casou-se em Luanda em 2003.

A empresária é a filha mais velho do presidente angolano, tendo como irmãos, Tchizé Santos, directora da revista Caras Angola e antiga deputada, e José Filomeno dos Santos.

Em Luanda, começou por dedicar-se ao sector de lazer, ao gerir um clube de praia na ilha de Luanda, o Miami Beach. Mas depressa migrou para outros sectores. Um dos seus primeiros desafios foi a gestão da Urbana 2000, empresa que detinha o monopólio de limpeza e prestação de serviços de saneamento de Luanda.

Daqui deu um salto para a segunda maior fonte de rendimentos do país após o petróleo, os diamantes. A entrada no sector foi feita pela mão de Noé Baltazar, na altura presidente da Endiama, Empresa Nacional de Diamantes de Angola. A empresária é também dona de participações na Sodiam e na Ascorp, empresas que comercializam diamantes em bruto, tendo como sócios Noé Baltazar e a Endiama, de acordo com o jornal Público.

Além dos diamantes , a empresária move-se com bastante agilidade no mundo da banca, tendo uma participação de 20% no Banco Espírito Santo Angola, fazendo parte dos accionistas iniciais, quando o BES lançou a filial angolana, presidida por Hélder Bataglia, em 2001. Nessa altura, adquiriu 25% do capital da Unitel, empresa de telecomunicações, através da empresa Geni, empresa participada pela Portugal Telecom e pela Sonangol.

Américo Amorim e Isabel dos Santos

O homem mais rico de Portugal, Américo Amorim é um parceiro privilegiado de Isabel dos Santos. Em 2005, a empresária e Amorim juntaram-se a Fernando Teles saído do BFA (que pertence ao BPI) para fundar o Banco Internacional de Crédito (BIC). O BIC Portugal, presidido pelo ex-ministro de Cavaco Silva, Mira Amaral, adquiriu este ano o BPN ao Estado português.

O BIC é detido em 25% pelo empresário português, ficando Isabel dos Santos com outros 25% através da Sociedade de Participações Financeira. Fernando Teles, presidente do banco detêm 20%, ficando o restante capital disperso por vários investidores.

A empresária também está presente no capital da Galp, através da Amorim Energia, empresa que é detida em 55% por Américo Amorim e em 45% pela Esperanza Holding, que pertence à petrolífera estatal angolana Sonangol e a Isabel dos Santos.

A Amorim Energia pode vir a reforçar a sua posição na petrolífera portuguesa, com a anunciada saída da italiana Eni do seu capital, podendo vir a ficar com 66, 68% da Galp. Mas a Sonangol pode avançar sozinha para a compra da Eni, entrando directamente no capital da empresa, deixando Américo Amorim e Isabel dos Santos para trás.

Outro dos negócios partilhados por Amorim e dos Santos foi no mercado de cimento em Angola, que levou à saída da Cimpor do país. A cimenteira portuguesa tinha comprado em 2004, 49% da maior empresa nacional. A Nova Cimangola, onde o Estado angolano tinha uma parcela de 39,8%. Um ano depois, as duas empresas entraram em conflito levando à saída da cimenteira lusa do capital da Nova Cimangola, tendo então os 49% passado para a Ciminvest, empresa que pertencia a Américo Amorim e a Isabel dos Santos. Em 2010, o empresário vendeu a sua percentagem, que rondava os 30%, a uma empresa controlada por Sindika Dokolo, segundo o Diário Económico.

A empresária aliou-se também a outro dos grandes grupos económicos portugueses, a Sonae, para abrir uma rede de hipermercados com a marca Continente, em Angola. Ficando a empresa liderada por Paulo Azevedo com 51% da parceria e a Condis, da empresária, com 49%.

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