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Petróleo. “Isso acabou. O excesso de oferta desapareceu”

Ministro do Petróleo saudita Khalid al-Falih Foto: REUTERS/Leonhard Foeger
Ministro do Petróleo saudita Khalid al-Falih Foto: REUTERS/Leonhard Foeger

"Isso acabou. O excesso de oferta desapareceu ", disse o ministro saudita Khalid al Falih, durante uma visita aos Estados Unidos.

Já não faltará muito para o mercado voltar ao equilíbrio. O excesso de oferta de petróleo tem os dias contados e a Arábia Saudita, maior exportador do mundo desta matéria-prima, pretende voltar ao seu antigo papel de controlar o mercado, mantendo a balança da oferta e da procura no sítio certo. A garantia é dada pelo novo ministro do Petróleo saudita, Khalid al Falih, em entrevista a um jornal norte-americano.

Durante uma viagem aos Estados Unidos, onde se deslocou com o vice-príncipe herdeiro saudita, Khalid al Falih foi peremptório: “Isso acabou. O excesso de oferta desapareceu.”

Esta ideia já tinha sido defendida no início do mês, durante uma reunião da OPEP, pelo então secretário-geral, o líbio Abdalá El Badri, que assegurou que o mercado petrolífero caminhava para o equilíbrio.

Leia também: Secretário-geral da OPEP assegura que mercado se está a equilibrar

Nesse mesmo dia, o cartel nomeou Mohammed Barkindo como o seu novo secretário-geral. E pela terceira vez consecutiva, depois dos falhanços das reuniões de dezembro e abril, também o encontro de 2 de junho da Organização dos Países Exportadores de Petróleo falhou o acordo.

Os níveis de produção de petróleo mantiveram-se inalterados, apesar das expectativas de que o cartel iria optar por fazer um corte na produção o que levaria, inevitavelmente, a uma subida do preço do barril.

“Neste momento temos de transportar, durante mais algum tempo, o excesso de stock até que o mercado volte a funcionar”, explicou em entrevista ao “Houston Chronicle” o recém-empossado ministro do Petróleo saudita.

Em maio, Khalid al Falih tomou o lugar do histórico Al-Naimi, que teve a pasta do petróleo durante mais de 20 anos. Mas a dança de cadeiras em nada mudou as políticas sauditas no que a esta matéria-prima dizem respeito.

Leia também: Arábia Saudita promete não inundar o mercado com petróleo

“A grande questão agora é o quão rápido o excesso de petróleo vai sair do inventário global”, argumentou Falih, que acumula a pasta de governante com a de presidente da maior petrolífera do mundo. Um em cada oito barris de petróleo é produzido pela Saudi Aramco.

“Ora, claro que isto vai continuar a ser um tampão à velocidade de recuperação dos preços do barril. Temos de esperar pelo segundo semestre deste ano e pelo início do próximo para ver como as coisas correm.”

Khalid al-Falih, President and Chief Executive Officer of Saudi Aramco, attends a session at the annual meeting of the World Economic Forum (WEF) in Davos January 23, 2014. REUTERS/Ruben Sprich/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY

Na verdade, a Arábia Saudita não tem pressa até porque consegue ter lucros mesmo que o petróleo esteja a preços mais baixos do que seria de desejar. E como se explica na entrevista, optou por deixar as forças do mercado atuarem. Os produtores que se deparam com custos de produção mais altos vão desaparecendo aos poucos do mercado.

É o caso dos Estados Unidos: a sua produção de petróleo de xisto, muito mais cara, é mais difícil de manter com preços baixos. E desde 2015 a produção caiu mais de meio milhão de barris por dia. 80 produtores já foram à falência.

Não admira que Falih não tenha dúvidas: “Não importa o que faças, no fim os mercados ganham.”

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