leilão

Portugal emite 700 milhões de euros a juros mais altos

Foto: Diana Quintela / Global Imagens
Foto: Diana Quintela / Global Imagens

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública não angariou o valor indicativo máximo e obteve um juro de 2,112%.

O Tesouro português colocou hoje 700 milhões de euros de dívida pública a cinco anos com uma taxa de juro superior à da última emissão semelhante. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) não angariou o valor indicativo máximo de 750 milhões de euros e obteve um juro de 2,112%.

A procura superou 1,92 vezes a oferta.

No último leilão com maturidade semelhante, que se realizou a 26 de outubro, Portugal angariou mil milhões de euros a uma taxa de juro média de 1,751%. Ainda assim, a taxa paga hoje ficou abaixo do juro da yield a cinco anos praticada no mercado secundário que está nos 2,18%.

Com a emissão desta quarta-feira, que vence em abril de 2021, o Tesouro português dá por concluído o programa de financiamento para este ano.

O resultado do leilão teve interpretações distintas por parte dos analistas. Para João Queiroz, Diretor de Negociação do Banco Carregosa, “foi uma subida considerável de mais de 25 pontos base (mais de 0,25%) no espaço de um mês”.

“Assim que vi a taxa tive um sobressalto. A explicação é o aumento da perceção dos investidores sobre o risco da dívida portuguesa. Apesar de não termos aumentado o risco face a Espanha ou Itália, a distância que nos separa das taxas alemãs está nos valores mais elevados do último mês (o spread face à Alemanha está nos 255 pontos). Aliás, a dívida alemã a 2 anos está com uma taxa negativa de 0,75%! É notório que os investidores estão a exigir um prémio maior para comprar dívida portuguesa e foi isso que fez subir a taxa de hoje. Também talvez tenha sido por isso que o Tesouro decidiu não emitir o montante máximo previsto”, destacou o analista.

Já José Lagarto, gestor de ativos da Orey Financial, sublinha que “numa altura em que a tendência das taxas de juro a nível global é de subida, a colocação perto do máximo proposto a nível ligeiramente superior à anterior colocação, poderá ser encarada como bem-sucedida”.

Para Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB, a subida dos juros “era de esperar”.

“Este valor já era expectável, daí que esta seja provavelmente a última colocação de dívida de longo prazo do ano. Uma decisão sensata por parte do IGCP que deverá esperar que o mercado de divida arrefeça para conseguir melhores juros. Também a Alemanha colocou hoje dívida a 10 anos, registando uma ligeira subida das ‘yields’ para os 0,21%” observa o analista.

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