PSI-20 tem pior sessão desde agosto. BCP perdeu 9,4%

Solução à esquerda já se sente nos mercados
Solução à esquerda já se sente nos mercados

As ações do Millenium BCP e do BPI afundaram hoje 9,4% e 7,3%, respetivamente, e empurraram o PSI-20 para o pior dia desde meadois de agosto - perdeu mais de 3% com 17 títulos no vermelho. A banca foi o setor mais penalizado na primeira sessão da semana, quedas que os analistas associam a um crescente entedimento entre os partidos mais à esquerda.

“Nas yields temos um padrinho a conter o impacto do risco político, na banca não”, afirmou Alfredo Mendes, trader do Banco Best, citado pela Reuters, referindo-se ao papel do Banco Central Europeu que limita grandes subidas nos juros da dívida portuguesa.

Numa altura em que os mercados estão atentos às movimentações políticas vividas em Portugal, o analista sublinha que enquanto houver indecisão, “o risco aumenta”.

“Os bancos são, à partida, motores da economia. Se houver sinais que a economia poderá ficar sem direção porque não há Governo, ou incerteza nas políticas, os bancos podem ficar mais frágeis e estes (BCP e BPI) são títulos que reagem sempre mais rapidamente”, disse Alfredo Mendes à Reuters, lembrando que não se antevê para Portugal uma repetição do panorama grego. No entanto, “poderá haver incerteza na forma como o futuro governo lidará com alguns compromissos europeus”.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, Filipe Garcia, analista do IMF, lembra que “até agora uma coligação à esqueda não estava a ser vista sequer como uma hipótese. Portanto só agora é que os mercados poderão começar a descontar esta surpreendente oportunidade”.

Também a equipa de research do BiG lembra que uma hipótese de governo à esquerda, apesar de apresentar “reduzida probabilidade”, “poderá resultar num agravamento das condições de financiamento da República nos mercados de dívida”. Esta nova formação política poderia, ainda, ser penalizadora “para a posição de Portugal na Zona Euro dado que os principais players apresentaram uma reação positiva à reeleição da coligação Portugal à Frente”, acrescentou ao Dinheiro Vivo.

É precisamente isso que Ricardo Santos, gestor da XTB, realçou também: “Não devemos esquecer que a nossa dívida é ainda considerada pelas agências de rating como expeculativa” e que o primeiro teste acontece já na quarta-feira quando Portugal for aos mercados emitir Obrigações do Tesouro. Não é só: “Considerando a dependência da banca nacional da zona euro, qualquer sinal de aproximação com a esquerda radical assusta os investidores que começam a vender posições neste sector”, acrescenta, lembrando que “as linhas programáticas dos partidos mais a esquerda do PS reavivam receios das “experiências” gregas dos últimos meses”.

Mas não são só os mercados que reagem, sublinha este analista. “Uma aliança de esquerda parlamentar, no sentido de viabilizar um governo do PS deve, no mínimo assustar qualquer agente nos mercados financeiros”. E “por agente de mercados financeiros podemos considerar até o cidadão que detém uma conta depósito à ordem para pagamento das suas despesas diárias”.

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) disse esta segunda-feira, depois de uma reunião com António Costa, que já é claro que “o Governo de Passos Coelho acabou” porque há “outra solução de Governo” integrando as prioridades do Bloco – “emprego, salários e pensões”. A aproximação entre os partidos de esquerda parece, assim, mais próxima.

*Notícia atualizada às 17h20 com a atualização do fecho dos mercados

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