Investimento

Quem é Charlie Munger, o enigmático braço direito de Warren Buffett

Um funcionário expõe t-shirts com imagens de  Warren Buffett e Charlie Munger na reunião anual da Berkshire Hathaway, a maior no mundo empresarial nos Estados Unidos, na sua terra natal de Omaha, Nebraska.
Um funcionário expõe t-shirts com imagens de Warren Buffett e Charlie Munger na reunião anual da Berkshire Hathaway, a maior no mundo empresarial nos Estados Unidos, na sua terra natal de Omaha, Nebraska. REUTERS/Rick Wilking

Ambos nascidos em Omaha, os amigos Charlie e Warren criaram um império avaliado em quase 500 mil milhões de dólares (418 mil milhões de euros).

“O Charlie faz a maioria das coisas melhor do que eu”, afirmou, este sábado, Warren Buffett, multimilionário e guru dos mercados. O Charlie a que se refere é o seu braço direito na holding de investimentos Berkshire Hathaway, Charles Munger. A afirmação foi proferida na reunião anual da companhia, conhecida como o ‘Woodstock para Capitalistas’, que tem lugar em Omaha, no Nebraska, nos Estados Unidos.

Ambos nascidos em Omaha, os amigos Charlie e Warren criaram um império avaliado em quase 500 mil milhões de dólares (418 mil milhões de euros).

Munger, com 94 anos, é visto como um sábio, visionário e pensador irreverente. Os seus discursos, entrevistas e comentários são citados com frequência. E não apenas por entusiastas do mundo dos negócios e da bolsa.

Num dos seus discursos, citado pela CNBC, elaborou sobre as cinco coisas que garantem uma vida de miséria que devem evitar. A saber: deixar os vícios tomar o poder, sentir ressentimento, não ser de confiança, não se levantar após uma adversidade e recusar aprender com erros passados.

Numa conversa recente com alunos da Ross School of Business da Universidade do Michingan, Munger deixou alguns conselhos. “As pessoas que conseguem resultados que parecem extraordinários são pessoas que têm disciplina, inteligência e boa virtude e ainda muita sorte”, afirmou o vice-presidente da Berkshire. “Eu não queria ficar rico. Eu queria ser independente. Apenas ultrapassei (o meu objetivo)”.

Munger teve sorte. A sua entrada para a Berkshire, controlada por Buffett, ocorreu por mero acaso. Munger nasceu em Omaha, tal como Buffett, e trabalhou numa mercearia do avô de Warren quando era novo. Mas nunca conheceu Buffett. Só anos mais tarde foram apresentados por amigos comuns. Aconteceu quando Munger regressou de visita a Omaha depois da morte do seu pai. A ligação foi instantânea e Buffett convenceu Munger a deixar a sua carreira na advocacia e a seguir a área de investimento.

“O melhor conselho que recebi do Warren foi parar de praticar advocacia”, disse Munger numa entrevista à Fortune.

Hoje, a sua fortuna está avaliada em 1,68 mil milhões de dólares, segundo a Forbes. Além de ser vice-presidente da Berkshire, Munger é também presidente da Daily Journal e membro do conselho de administração da retalhista Costco.

Questionado este sábado sobre se Buffett, o ‘Oráculo de Omaha’, que completa em agosto os 88 anos, está semi reformado, Charlie respondeu: “Ele senta-se a ler a maior parte do tempo e a pensar, e de vez em quando fala ao telefone. Eu não noto nenhuma diferença… Warren é muito bom a fazer nada”.

Os olhos em Omaha

A peregrinação anual a Omaha por acionistas, analistas e jornalistas inclui uma sessão de cinco horas de perguntas dirigidas a Buffett e Munger.

Todas as suas respostas são depois lidas e absorvidas como conselhos e sugestões de investimento pela comunidade de investidores a nível global.

Qualquer movimento da Berkshire ou frase de um dos seus dois principais líderes têm efeitos imediatos vísiveis. Foi o que aconteceu com as ações da Apple, que dispararam esta sexta-feira para o máximo de sempre depois de a Berkshire ter anunciado que comprou mais 75 milhões de ações da fabricante do iPhone, durante o primeiro trimestre de 2018.

As ações da empresa cotada mais valiosa do mundo dispararam 4,2% para 184,25 dólares, colocando o valor da Apple em 906 mil milhões de dólares (757 mil milhões de euros).

O investimento da Berkshire na Apple foi inicialmente baixo. Mas com o recente reforço de posição, aumentou para 240,3 milhões de ações avaliadas em 42,5 mil milhões de dólares. Entre o fim de setembro e fevereiro deste ano, a posição na Apple aumentou 23%.

Apesar do reforço efetuado na Apple, a holding de Buffett terminou o primeiro trimestre de 2018 com uma posição de caixa e equivalentes de 108,6 mil milhões de dólares. E a Berkshire registou um lucro operacional recorde mas novas regras contabilísticas nos Estados Unidos levaram a companhia a perder dinheiro, com um prejuízo de 1,14 mil milhões de dólares, face a um lucro líquido de 4,06 mil milhões de dólares, há um ano.

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