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Raize: “Pode haver parcerias com empresas grandes nos próximos meses”

Afonso Eça e José Maria Rego, dois dos fundadores, criaram a Raize há cerca de cinco anos. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )
Afonso Eça e José Maria Rego, dois dos fundadores, criaram a Raize há cerca de cinco anos. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

A fintech chegou à Euronext Access esta semana depois de na oferta pública de venda ter vendido 15% do capital, uma operação que rendeu 1,5 milhões.

A Raize, uma fintech portuguesa que tem uma plataforma de empréstimos, entrou para a bolsa esta semana com uma valorização expressiva nos dois primeiros dias. Afonso Eça e José Maria Rego, dois dos fundadores, não escondem que tinham a expectativa que o arranque fosse “positivo”.

No primeiro dia de negociação, a empresa teve mais liquidez que algumas empresas que estão no mercado contínuo. É expectável, a médio prazo, que a Raize passe a cotar no mercado contínuo?
Afonso Eça (AE): É uma das coisas que foi referida na apresentação de resultados da Euronext: isto é um caminho. Entrámos no mercado Access, que transaciona por chamada, duas vezes ao dia, e depois com aquele regime híbrido durante outros dois períodos. Ir para o contínuo depende de um conjunto de fatores, nomeadamente, do volume que as ações fizerem nos próximos tempos. A revisão é feita anualmente. Vai depender um bocadinho do dinamismo que tiver.

Qual é a ideia para a política de distribuição de dividendos?
AE: A empresa tem como objetivo conseguir distribuir dividendos a partir de 2020. Estando o negócio a gerar lucro não há razão para não estarmos a distribuir rendimento.

Que patamar de lucros é que teriam de atingir?
José Maria Rego (JMR): Terminamos 2017 com uma situação de break-even [contas em equilíbrio]. Este ano esperamos uma situação semelhante. A meta é a partir de 2019 a empresa conseguir gerar resultados líquidos positivos com alguma expressão para podermos iniciar a distribuição dos dividendos.

Têm um valor?
JMR: Não há nenhum valor definido. Temos uma filosofia de distribuição de dividendos ativa. É também para isso que vamos estar agora a caminhar.

Que passos vão dar a seguir?

JMR: Um dos grandes objetivos da operação era conseguir uma institucionalização da marca. O negócio financeiro depende muito de duas coisas: da reputação que a empresa tem no mercado e de tempo. Tempo para se estabelecer e criar relações. São duas coisas que procurámos conquistar com esta operação, alargando a base acionista, aumentando o escrutínio que o mercado tem sobre a empresa, aumentando a credibilidade, o que vai permitir chegar a mais investidores e empresas. Já estamos a ver resultados. Estamos a sentir da parte do mercado um maior reconhecimento desde que lançámos [a OPV]. Só para dar uma ideia, a nossa base de investidores duplicou desde o início do ano.

As ações, como estão na Euronext Access, não tiveram que passar pelo crivo da CMVM. Os investidores vão ter acesso a todo o tipo de informação?
JMR: Os investidores já têm.

E no futuro?
JMR: Vão continuar a ter.
AE: [Os investidores vão ter] o mesmo nível de informação que têm os restantes [investidores]. Não houve uma aprovação formal do documento informativo e daí não se chamar prospeto. Em tudo o resto é muito semelhante. Enquanto sociedade aberta, a Raize tem todos os deveres que têm as [outras cotadas], quer ao nível da disponibilização de informação financeira, quer ao nível de reporte de factos relevantes, comunicações ao mercado.

Há diferenças no vosso dia-a-dia desde operação?
JMR: Há muitas mudanças. O negócio financeiro é de confiança e relacionamento. Os investidores e as boas empresas, que são quem queremos captar, valorizam muito esses dois aspectos. A empresa estar cotada dá-lhe mais credibilidade e ajuda a reforçar a ligação entre estes agentes. Tivemos um aumento do número de investidores em termos das empresas e estamos a conseguir entrar no mercado de empresas maiores.

Maiores?
JMR: Maior dimensão que, tipicamente, são acarinhadas pelos bancos. Estamos a começar a fazer financiamentos de montantes superiores. Estamos a conseguir alargar o leque de empresas com que conseguimos trabalhar.

Os bancos entraram em contacto ao longo deste processo para perceber o que é que fazem? Há contactos para nova parceria?
JMR: A resposta é sim. Falamos com bancos nessa lógica de estabelecer parcerias, de perceber como é que podemos trabalhar juntos e em que medida pode ser exequível. Tivemos, ao longo da operação de montagem, contactos com bancos sobre eventuais parcerias pós-OPV e como é que poderia funcionar. Para o próprio banco torna-se mais fácil fazer parcerias com a Raize pós-OPV do que com a Raize pré-OPV. Também era um dos objetivos: conseguirmos colocarmo-nos numa posição em que grandes empresas nacionais queiram fazer parcerias connosco.

Pode haver alguma parceria com alguma empresa grande, banco ou não, nos próximos meses?
JMR: Poderá haver parcerias. É uma das áreas onde trabalhamos, em contactos com grandes empresas, com bancos, para fazer essas parcerias. É uma questão também de saber entre as partes se faz sentido.

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