Mercados

Reinvestimentos do BCE ajudam dívida portuguesa

O BCE comprou menos dívida portuguesa que o suposto. Mas vai compensar parte desse desvio no processo de reinvestimentos. Juros descem

O BCE vai deixar de aumentar o seu porfolio de ativos, com o fim das compras líquidas este ano. Mas o banco central comprometeu-se a continuar a reinvestir o valor dos títulos que detém à medida que estes forem atingindo o fim do prazo. Neste processo, que deverá durar por muito mais tempo do que depois da primeira subida de taxas de juro, Portugal poderá sair compensado.

Desde que iniciou o programa de compras de dívida pública, em março de 2015, o Eurosistema comprou menos 11,3 mil milhões do que a meta, segundo estimativas do Commerzbank constantes num relatório a que o Dinheiro Vivo teve acesso. O BCE faz depender das compras da participação de cada país na sua chave de capital. Mas no caso de Portugal não conseguiu cumprir com essa orientação para não ficar com mais de 33% da dívida de um país considerada para efeitos do programa.

No entanto, segundo os parâmetros que revelou ao mercado esta quinta-feira, o BCE poderá agora compensar a dívida portuguesa. O banco central explica que “as amortizações serão reinvestidas na jurisdição em que os reembolsos são feitos, mas a alocação do portfolio entre as jurisdições continuará a ser ajustada com a perspetiva de fazer com que a proporção do programa fique mais alinhada com a subscrição de respetivo banco central nacional na chave de capital do BCE”. Detalha, no entanto, que “qualquer ajustamento na alocação do portfolio será gradual e calibrada para salvaguardar as ordeiras condições de mercado”.

Dívida portuguesa poderá beneficiar. Juros descem

Os analistas defendem que esta atuação acabará por beneficiar a dívida portuguesa. “O que isto quer dizer na prática é que vão comprar mais dívida de países como Portugal e Irlanda à custa, potencialmente, de Itália e Espanha por eles detêm mais obrigações que o suposto destes países”, explicou Marchel Alexandrovich, economista da Jefferies, citado pela Reuters. Realça que “o que o BCE está a dizer é que os reinvestimentos não têm necessariamente de regressar ao país em que as compras foram feitas”.

Apesar de terminar com o aumento da carteira de ativos, a política de reinvestimentos deverá manter o peso do BCE nos mercados de dívida. “Reinvestir as obrigações que chegam à maturidade significa que o BCE continuará a ser um dos grandes compradores no mercado de obrigações da zona euro”, considera Jan von Gerich, analista do Nordea Bank, numa nota. Estima que, em 2019, o Eurosistema faça reinvestimentos médios de cerca de 17,5 mil milhões por mês.

Essa interpretação está a ajudar os juros portugueses. Esta quinta-feira, os investidores estão a exigir 1,68% para deterem obrigações nacionais a dez anos, uma descida face à taxa de 1,72% verificada na passada quarta-feira. Os juros estão no nível mais baixo em sete meses.

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