Sonae quer encaixar até 360 milhões com entrada em bolsa do negócio de retalho

A Sonae vai avançar com a oferta pública de venda do negócio de retalho. A nova cotada disputará um lugar nas dez mais valiosas da bolsa portuguesa.

A Sonae que encaixar entre 304 milhões e 359 milhões de euros com a venda de parte do capital da sua unidade de retalho, que inclui o Continente e a Well's. A empresa avançou com a Oferta Pública de Venda da Sonae MC, que arranca já na próxima segunda-feira. O intervalo do preço das ações da empresa é de entre 1,40 e 1,65 euros. E o grupo da Maia pretende dispersar no mercado 21,74% do capital da empresa.

A estes valores, a Sonae MC ficaria com um valor de mercado de entre 1,4 mil milhões e 1,65 mil milhões de euros. Lutaria com empresas como a REN e Corticeira Amorim por um lugar na lista das dez cotadas mais valiosas da bolsa portuguesa. A empresa de redes de energia é avaliada pelo mercado em 1,59 mil milhões de euros, fechando o top 10 das maiores capitalizações bolsistas nacionais. A corticeira vale 1,48 mil milhões. E a unidade da Sonae que vai agora para bolsa terá um valor pouco abaixo da própria casa mãe que vale 1,72 mil milhões.

A nova cotada terá o negócio de retalho da Sonae, que inclui o Continente, o Meu Super, a Well’s, a Go Natural, a Bagga, o Note, o ZU e a Maxmat. Terá ainda a cargo a gestão e operação de ativos imobiliários das lojas. O grupo liderado por Paulo Azevedo acredita que a entrada em bolsa da Sonae MC valorize mais a própria Sonae reduzindo o desconto que os investidores exigem por causa da estrutura de holding.

Apesar de o objetivo ser a venda de 21,74% da empresa, a Sonae não descarta vender 25%, dependendo do exercício da opção, por parte dos bancos que asseguram a operação, de vender ações adicionais. A coordenar a oferta estão o Barclays, o BNP Paribas e o Deutsche Bank e a Sonae estima uma despesa de quase 18 milhões de euros com a operação.

A oferta de ações da Sonae MC é destinada sobretudo a grandes investidores. A dona do Continente espera que 77% das mais de 217 milhões de ações em oferta fique nas mãos de institucionais portugueses e internacionais. Os restantes 23% serão destinados a investidores de retalho que poderão assim ficar com 5% da dona do Continente.

Nas apresentações feitas ao mercado, e divulgadas no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sonae MC tenta cativar os investidores. Argumenta que o investimento permite ganhar exposição ao que considera ser “condições económicas atrativas”, referindo o “aumento do rendimento disponível e da confiança dos consumidores” e também com a queda da taxa de desemprego.

A Sonae defende ainda que o mercado português de retalho alimentar tem características mais favoráveis em relação a outros países europeus e acena com a liderança e com os ganhos de quota de mercado. A empresa salientou ainda que as vendas e prestações de serviços subiram 5,5% no ano passado para mais de quatro mil milhões de euros. Mas apesar desse crescimento, na documentação entregue à CMVM, a Sonae MC mostrou uma quebra dos

resultados líquidos no ano passado. Baixaram de 179,6 milhões para 115,3 milhões de euros. No entanto, no primeiro semestre deste ano houve uma recuperação com a empresa a lucrar 39,4 milhões. No mesmo período de 2017 esse valor tinha sido de 35,3 milhões. A Sonae MC compromete-se a distribuir entre 40% e 50% do lucro em dividendos.

A oferta arranca na próxima segunda-feira e estende-se até 18 de outubro, data em que deverá ser fechado o preço final e divulgados os resultados da operação. Para os investidores de retalho esse prazo termina um dia antes. O primeiro dia de negociação incondicional dos títulos está agendado para 23 de outubro.

Calendário da operação

8 de outubro – Inicio do período de oferta

13 de outubro – Ordens de investidores de retalho tornam-se irrevogáveis

17 de outubro – Fim do período da oferta para investidores de retalho

18 de outubro – Fim da oferta para institucionais. Determinação do preço e apuramento dos resultados da oferta.

19 de outubro – Admissão condicionada das ações na bolsa portuguesa

23 de outubro – Primeira sessão de negociação regular das ações da Sonae MC

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