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Tesouro quer aproveitar apetite por dívida verde

Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, sinalizou novos reembolsos ao FMI
(Jorge Amaral/Global Imagens)
Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças, sinalizou novos reembolsos ao FMI (Jorge Amaral/Global Imagens)

Polónia, França e Bélgica emitiram obrigações para financiar projetos amigos do ambiente. Portugal estuda essa opção.

A procura por obrigações verdes, que servem para financiar projetos amigos do ambiente, está imparável. Há cada vez mais fundos de investimento a reger as suas aplicações por critérios de sustentabilidade. E o Tesouro português quer aproveitar esse apetite para baixar o custo da dívida.

Mourinho Félix, secretário de Estado adjunto e das Finanças, numa entrevista recente ao Dinheiro Vivo/TSF, revelou que essa possibilidade estava a ser estudada. Rui Serra, economista-chefe do Montepio, diz ao Dinheiro Vivo que, à partida, emitir obrigações verdes “tem o potencial de alargar o leque de investidores possíveis para a dívida portuguesa. À partida, poder-se-ia obter uma taxa de juro mais baixa, dado que os investidores deste tipo de ativos poderão estar dispostos a pagar um prémio”.

Mas o economista adverte que também há desvantagens “relacionadas com os prémios de liquidez e custos administrativos”. O economista explica que para promover a liquidez das obrigações do Tesouro (OT) “faz todo o sentido tentar aumentar os montantes emitidos” nas linhas já existentes. E salienta que emitir este novo tipo de obrigações pode resultar em maiores custos com apresentações a investidores e com a documentação da operação.

As obrigações verdes nasceram em 2007, quando o Banco Europeu de Investimento fez uma emissão deste tipo de dívida, segundo um relatório do Nomura. Este mercado está a ter um crescimento elevado.

No ano passado, a nível global, foram emitidos 100 mil milhões de euros, segundo dados do Commerzbank. Foi uma subida de 35% face a 2016 e de 250% em relação a 2015. A expectativa é de que as obrigações verdes continuem a aumentar, já que são boas aliadas para que os governos consigam cumprir as metas ambientais do Acordo de Paris.

Se no início este tipo de dívida era utilizada por entidades supranacionais, começa também a ser uma solução para os próprios Estados. A Polónia emitiu obrigações verdes no final de 2016; a França no início de 2017 e nesta semana foi a vez da Bélgica ir ao mercado emitir 4,5 mil milhões de dólares a 15 anos, montante que será destinado a financiar ferrovias, obras de eficiência energética em edifícios públicos e projetos para armazenar energia renovável.

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