Bolsa

Trimestre doce: ações da Apple batem recorde

02.08.2017 / 14:57

Apple está agora mais perto de se tornar na primeira empresa a valer um bilião de dólares

Wall Street reagiu com grande entusiasmo às boas notícias que a Apple trouxe do terceiro trimestre fiscal, findo a 1 de julho, e as perspetivas para o próximo. Nas trocas fora de horas após a apresentação de resultados, as ações dispararam 6,30% para 159,50 dólares, um máximo histórico. Hoje, depois da abertura dos mercados em Nova Iorque, Wall Street confirmou o otimismo: os títulos já valorizaram 5,77% e estão nos 158,71 dólares. A capitalização bolsista deu um salto para 827 mil milhões de dólares, colocando a Apple mais perto de se tornar a primeira empresa a valer um bilião.

A reação deveu-se tanto ao crescimento quanto às perspetivas de receitas para o trimestre julho-setembro, que a Apple colocou bem acima do que os analistas esperavam. As receitas no trimestre subiram 7% para 45,4 mil milhões de dólares e os lucros cresceram 12% para 8,7 mil milhões. Os investidores estavam nervosos com a perspetiva de uma quebra nas vendas do iPhone, que vale 55% das receitas totais da Apple, período imediatamente anterior ao lançamento do iPhone 8.

A verdade é que as notícias da morte do iPhone têm sido claramente exageradas. A estagnação que se verificou no ano passado foi ultrapassada e as vendas do smartphone voltaram a crescer, ainda que de forma modesta – 2% em unidades (41,026 milhões) e 3% em receitas (24,86 milhões de dólares). O CEO Tim Cook explicou, durante a conferência com analistas, que a procura pelo iPhone 7 Plus foi especialmente forte, muito superior à que se verificou no ano passado com o 6s Plus. O executivo anunciou também que, uma década depois do lançamento, a Apple ultrapassou a fasquia de 1,2 mil milhões de iPhones vendidos em todo o mundo.

No entanto, não foi apenas o smartphone que teve um bom desempenho neste trimestre. Tim Cook iniciou a conferência com analistas sublinhando precisamente este feito. “Temos o orgulho de anunciar resultados muito fortes, com crescimento de unidades vendidas e receitas em todas as categorias de produto”, referiu.

A unidade de Serviços, onde estão metidos o Apple Music, Apple Pay e AppleCare, bateu o recorde de receitas trimestrais, crescendo 22% para 7,26 mil milhões de dólares. Para ter uma ideia do que isto significa, é quase tanto quanto as receitas combinadas dos iPads e “Outros Produtos”, onde estão incluídos o Apple Watch, o iPod, Apple TV e dispositivos Beats.

O diretor financeiro Luca Maestri disse aos analistas que a App Store foi a grande impulsionadora deste recorde de receitas – tendo o dobro da rentabilidade em relação à rival Google Play, de acordo com a consultora App Annie. As subscrições pagas dos serviços oferecidos pela Apple, com destaque para iCloud Storage e Apple Music, totalizam agora 185 milhões de utilizadores, um acrescento de 20 milhões só nos últimos três meses. Deste total, a Apple Music tinha 27 milhões em junho.

Maestri e Cook alongaram-se nos sucessos do iPad, que inverteu a tendência de quebra de forma surpreendente: cresceu 15% em unidades (11,4 milhões) e 2% em receitas (4,96 milhões de dólares). O tablet da marca atingiu a quota de mercado mais elevada dos últimos quatro anos, de acordo com a consultora IDC, disse o CEO. Só nos Estados Unidos, a NPD atribui-lhe 55% de quota.

Interessante é também o facto de os computadores Macintosh terem subido mais as receitas que as vendas, o que significa que a Apple está a convencer os utilizadores a comprarem os modelos mais premium – 4,2 milhões de unidades vendidas (+1%) geraram 5,59 milhões de dólares (+7%). Visto que a Apple refrescou a linha de Macs em junho, as expectativas da empresa para o regresso às aulas são bastante positivas.

Embora não tenha avançado números específicos, Cook indicou que as vendas do relógio inteligente Apple Watch disparou 50% no trimestre. Talvez isso explique o crescimento de 23% nas receitas da divisão “Outros Produtos.”

As más notícias vieram da China, onde as vendas de iPhones caíram 10%. Foi a única região com decréscimo, contrariando as subidas de 11% na Europa e 13% nas Américas.

A Apple vai lançar o iPhone 8 em setembro, num evento que ainda não tem data marcada. O lucros mantêm a rentabilidade da empresa acima da Samsung, que neste trimestre teve uma subida incrível de 89%.