A arte de mostrar o caminho

Em Portugal, 59% das pessoas quiseram mudar de trabalho nos últimos meses. Será que a mudança no paradigma de trabalho trouxe falhas na liderança das empresas? Ou ainda temos mesmo de aprender o que é liderar?

A liderança de uma empresa é constantemente desafiada e obrigada a adaptar-se, com estímulos quase diários vindos de diversos ângulos. Face aos últimos dois anos, isso torna-se ainda mais notório, com mudanças não só rápidas como absolutamente estruturais. Satya Nadella, o CEO da Microsoft, chegou mesmo a afirmar em maio de 2020 que se "fez em dois meses o equivalente a dois anos de transformação digital".

Mas que impacto isso trouxe para a liderança nas empresas? Segundo o Randstad Workmonitor 2021, um estudo realizado de 15 de fevereiro a 8 de março em mais de 32 países, estas mudanças abanaram parte da estrutura das organizações. E isso refletiu-se nos trabalhadores.

Em termos absolutos, 59% dos trabalhadores em Portugal confessam que já sentiram vontade de mudar de emprego neste período. E as razões não são menos surpreendentes: 34% revela que se prende por circunstâncias organizacionais da empresa e outros 14% por insatisfação com a mesma. Outros 30% revelam esta vontade para obter melhores condições de emprego.

A diferença entre gestão e liderança

Muitos dos problemas de liderança são fruto da sua definição ainda não ser clara, havendo uma confusão recorrente com gestão. Embora tenham algumas coisas em comum, as funções de líder e gestor não podiam ser mais diferentes. Nancy Koehn, investigadora da Harvard Business School, esclarece que liderança "é uma influência positiva para a mudança, incluindo uma visão que leve a essa mudança", isto é, uma estratégia, que pretende acima de tudo "empoderar pessoas para que concretizem essa visão apesar dos obstáculos". Se a liderança é uma visão, a gestão é um processo. É a "gestão de trabalhadores para atingir um objetivo comum de forma regular, quase diária".

De forma sucinta, a liderança provoca a mudança e a gestão implementa processos que tornam a empresa mais produtiva, sejam orçamentos ou organização estrutural. Assim, o gestor contrapõe-se ao líder de forma básica: a de uma posição versus uma qualidade que se trabalha. O gestor é um título, que tem um grupo de responsabilidades associado. A liderança é uma qualidade que tem de ser aprimorada com o tempo, com muita inteligência emocional e capacidade de persuasão desenvolvida.

Se um líder se foca nas pessoas e um gestor se foca nos processos, será que os resultados do Randstad Workmonitor 2021 indicam que as empresas falharam na sua liderança? Talvez. E grande parte dessa responsabilidade pode ser atribuída ao paradigma repentino da digitalização. Num mundo que caminha para uma realidade híbrida, as conexões pessoais tornam-se mais importantes do que nunca. E essa que foi, até agora, a maior falha da liderança nas empresas pode também ser a sua maior mais-valia: as relações pessoais tornar-se-ão, gradualmente, na forma mais segura de reter talento. Mais liderança e menos gestão: uma realidade que mudará durante o próximo ano?

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