A chave para atrair e reter talento? Ouvir os seus profissionais

A estabilidade profissional tem tido cada vez menos peso na hora de decidir aceitar ou não uma proposta de trabalho. Porém, pode isto ser o que colaboradores e empresas precisam para enfrentar a atual recessão económica?

Os últimos dois anos mudaram radicalmente a forma como os trabalhadores pensam sobre a sua carreira. Prova disso é a Great Resignation (em inglês, "Grande Renúncia"), um movimento que levou profissionais a despedirem-se em massa na sequência da pandemia. Segundo o Departamento de Estatísticas Laborais norte-americano, cerca de 47 milhões de pessoas saíram voluntariamente dos seus empregos em 2021 só nos Estados Unidos da América.

Na base de fenómenos como este estão transformações no mercado de trabalho que foram aceleradas pela Covid-19 e que também se fazem sentir deste lado do Atlântico. Cada vez mais os colaboradores esperam algo diferente e melhor dos seus empregadores. Agora, na hora de optar entre manter a atual situação laboral ou aceitar um novo desafio pesam fatores que antes tinham lugar secundário na lista de prioridades.

De acordo com o Randstad Employer Brand Research 2022, garantir uma vida profissional estável já não é o mais importante para os trabalhadores. Ao invés disso, preferem ter flexibilidade ao nível dos horários e do local de trabalho e usufruir do consequente work-life balance (em português, equilíbrio entre a vida pessoal e laboral). De tal forma as opções de trabalho híbridas tornaram este sonho numa realidade que os profissionais não estão dispostos a voltar a um modelo laboral do passado que, acreditam, lhes garante menos bem-estar.

Além de quererem proteger as suas relações pessoais e saúde mental, os profissionais também querem estar numa organização onde sentem que o seu trabalho contribui para um bem maior e que é valorizado. Segundo o mesmo relatório da Randstad, o salário emocional é outro critério que norteia as carreiras dos colaboradores. Isto é especialmente verdade para quem pertence às gerações mais jovens, pois têm mais tendência a permanecer menos de dois anos na mesma organização.

Estabilidade profissional: o que mudou?

Porém, o mundo do trabalho voltou a dar uma volta de 180 graus. E a culpada, desta vez, é a atual recessão económica. A possibilidade de as empresas partirem novamente para a redução de equipas junta-se à maior inflação dos últimos 30 anos em Portugal e a uma crise energética nunca vista.

Perante um clima de enorme incerteza, a estabilidade profissional pode voltar a ser o que os profissionais mais ambicionam no seu emprego, presente e futuro. Mas tal não significa que as organizações não tenham de se esforçar para se manterem atrativas. Se quiserem acolher e reter talento, as lideranças têm de ouvir o que as suas equipas precisam. E, claro, responder a essas necessidades através, por exemplo, da garantia de oportunidades de trabalho flexível, progressão na carreira ou de formação. Uma organização só terá força suficiente para enfrentar os tempos difíceis que se avizinham se colocar as suas pessoas sempre em primeiro lugar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de