E-commerce já vale cinco mil milhões de euros em Portugal

Comércio online mantém a trajetória de crescimento a dois dígitos, impulsionado pelo surgimento de novos marketplaces nacionais e subida das compras anuais.

A quarta edição do CTT e-Commerce Day, que aconteceu na passada sexta-feira em Lisboa, serviu de palco para a divulgação do já habitual relatório sobre a performance do comércio eletrónico em Portugal. O e-Commerce Report 2019, desenvolvido pela empresa de serviços postais, revela que este mercado continua a crescer a dois dígitos (17%), tendo atingido, no último ano, um valor de cerca de cinco mil milhões de euros. Alberto Pimenta, diretor de e-Commerce dos CTT, explica que “cresceu a base de compradores em Portugal” e que o país está a aproximar-se das médias europeias, “que andam na casa dos 60%”.

Apesar do desenvolvimento positivo dos números, o relatório mostra também que os compradores digitais portugueses continuam a preferir as plataformas internacionais, em parte porque “as nossas marcas ainda estão numa fase mais incipiente”, diz, embora defenda que estas têm vindo a mostrar grande dinâmica ao longo dos últimos anos. De acordo com o documento, apenas 13% dos e-buyers faz compras exclusivamente em marketplaces nacionais. Contudo, o estudo aponta que os comerciantes mantêm elevadas expectativas de crescimento, sendo que “50% esperam crescer entre os 10% a 20%” e cerca de 30% preveem aumentos acima dos 20% nos próximos seis meses.

Este crescimento, além de alavancado pela consolidação de marketplaces como o Dott, o OLX ou a Worten, está diretamente relacionado com o aumento médio das compras anuais (+14%), mas também com a dinâmica de plataformas como a UberEats ou a Glovo nas áreas urbanas. Ainda que considere importante o impulso do e-commerce pelos CTT e o trabalho dos operadores logísticos, Alberto Pimenta fez questão de sublinhar a relevância dos acordos estabelecidos com diferentes parceiros do comércio eletrónico. “No digital, a colaboração é cada vez mais relevante e os novos modelos de negócio encontram-se muito por essas parcerias”, refere.

Ainda no campo das entregas, o relatório confirma que o comprador digital português valoriza mais a previsibilidade da entrega, em termos de dia (52%) e hora (47%), do que o tempo de entrega (39%). Tanto os e-buyers como os e-sellers convergem na tendência de entregas gratuitas, mais flexíveis quanto ao destino (domicílio continua a ser a opção preferida por 87% dos consumidores) e com maior velocidade.

Amazon à portuguesa

A ambição, se realista e ponderada, pode muitas vezes ser o motor para o crescimento e para o cumprimento de objetivos. No caso dos CTT, João Bento, presidente executivo da empresa, garante que pretende continuar a liderar o mercado da logística e das entregas, mas também de ser “um dos principais promotores da criação de um ecossistema de e-commerce em Portugal”, fazendo referência ao Dott, apresentado ao mercado no início de 2019. “Sem que isso revele alguma submissão à concorrência, queremos mesmo ser a Amazon de Portugal e, aliás, fazer com que a Amazon não queira sequer entrar”, afirma.

Para isso, a empresa de serviços postais continuará a apostar nos serviços especialmente pensados para fortalecer o comércio eletrónico, como os cacifos automáticos ou as entregas até duas horas na Grande Lisboa. No entanto, ainda este mês será lançado oficialmente o novo serviço CTT Logística para “acrescentar cada vez mais valor” a toda a cadeia do retalho e que, no fundo, passa pela gestão integral do stock das lojas digitais, o picking, packaging e, claro, as entregas. “Estas plataformas vão integrar com a Shopify e o WooCommerce, mas também, mais à frente, com a Amazon e com o Dott”, revelou ainda Alberto Pimenta.

Será desta forma, assente numa multiplicidade de serviços para e-commerce, que os CTT continuarão a apostar neste setor por considerarem que “é a mais óbvia alavanca de crescimento para o expresso e encomendas e a logística”, remata João Bento.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de