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Fundador da Wired: “Acham que as fake news são más? Vai ficar ainda pior”

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A propagação de notícias falsas ou adulteradas é vista como ameaça aos meios de comunicação social e à democracia. Mas David Rowan, fundador da Wired, diz que podem ser uma oportunidade

“Se acham que as fake news (notícias falsas) já são más, isso vai ficar ainda pior”. O alerta é de David Rowan, jornalista que fundou a revista Wired e que foi orador no encontro anual Top Advertisers, organizado pelo Global Media Group (GMG), dono do Dinheiro Vivo, do DN, JN e da rádio TSF, e que distinguiu os principais anunciantes do último ano.

Um dos mais recentes exemplos das informações falsificadas foi a imagem de um dos jogador da NFL a queimar a bandeira norte-americana, divulgada já depois do conflito com a comunicação social norte-americana e na mesma semana em que Trump abriu guerra à liga de futebol-americano, acusando os seus atletas de “desrespeitarem o país”. Essa fotografia, que adensou as hostilidades, era, afinal, falsa.

Rowan considerou que os factos adulterados, visto por muitos como uma séria ameaça aos meios de comunicação social (e à própria democracia) pode, afinal, ser uma oportunidade. “Os jornalistas e editores estão a pôr, robôs e falta de confiança, são os jornalistas de confiança que mantêm a credibilidade e a quem as pessoas recorrem”, afirmou. O investigador acredita que “nós, jornalistas, conseguimos fazer coisas que a internet não consegue. Nós temos a confiança das nossas comunidades e chegamos às pessoas de todo o país – ou mundo – e não apenas a pequenas bolhas opinativas”.

Faz, por isso, sentido pagar pela informação nos dias de hoje? “Sim, se ela não estiver em mais lado nenhum”, defende, dando como exemplo de publicações como o norte-americano The New York Times ou o britânico The Guardian, que foram contra a corrente e investiram no jornalismo de investigação para depois o venderem aos leitores. Ambos tiveram sucesso com a ideia, que é uma das várias que podem ser usadas para alargar e proteger as receitas de um grupo comunicativo ou de qualquer empresa.

Uma delas, explica Rowan, é estar consciente que “a hierarquia já não é o que mais importa”, como fez a produtora de jogos finlandesa Supercell, cujo CEO, Ilkka Paananen, que disse que “queria ser o CEO menos poderoso do mundo” e que alocou tarefas exclusivas às diferentes “células” da empresa, hoje em dia autora da maioria dos jogos para mobile mais descarregados pelo mundo.

Outra opção é “encontrar vantagens fora da zona de conforto” e olhar para casos como o do banco finlandês OP, que investiu em hospitais privados, com os quais estabeleceu parcerias e vendeu produtos como seguros de saúde incrivelmente lucrativos.

“Tornar-se numa plataforma” também é uma decisão eficaz. Veja-se o exemplo da fabricante de telemóveis chinesa Xiaomi, que investiu em 76 pequenas startups de hardware e que alargou a oferta de produtos além dos smartphones, como purificadores de ar ou os famosos carregadores portáteis, conhecidos como power banks. Estes produtos, não sendo da Xiaomi, têm o logótipo da tecnológica estampados. Com esta ideia, as startups tiveram acesso a um mercado de 150 milhões de clientes, enquanto a Xiaomi alargou o leque de ofertas.

O público, as audiências ou os clientes têm um papel que não deve ser ignorado. Eles ajudam a “criar um ecossistema”, diz o jornalista, que recorre ao caso da fabricante de smartphones One Plus, que criou uma secção e destacou uma equipa para analisar sugestões dos seus utilizadores. No meio delas estava a ideia de criar capas de bambu, um produto exclusivo da marca que hoje é exportado para todo o mundo.

Há, no entanto, um risco associado a tudo isto, o “pensamento estagnado”, ou seja, acreditar que o modelo de negócio atual vai servir para sempre. A maior vítima desse erro foi a Nokia, que durante anos a fio liderou o mercado dos telemóveis e que, meses antes de ter sido lançado o primeiro iPhone, era capa da Forbes. “Quem consegue apanhar o rei dos telemóveis”, questionava a manchete da revista na altura. Não levou muito tempo a que se encontrasse a resposta à pergunta.

Liderança reforçada

David Rowan foi o orador principal do encontro anual Top Advertisers, onde o Global Media Group premiou os seus principais parceiros anunciantes. Durante o evento, Victor Ribeiro, CEO do GMG, anunciou que 2017 foi “um ano de consolidação dos projetos já existentes, de consolidação da liderança no digital e do reforço da oferta informativa reforçar a oferta informativa do Global Media”.

se 2017 contou com o lançamento de duas novas marcas editoriais, o Motor24 e a N-TV, este ano também vai ter novidades, que começam já este mês, com o lançamento da primeira edição da revista Woman’s Health, mas não só. “Haverá também novas marcas que continuarão a reforçar a cobertura das audiências do grupo, e haverá sobretudo uma grande aposta na área do vídeo em todas as marcas existentes”, concluiu o CEO.

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