Comissão Europeia

Viseu: Moedas está de olho “nas profissões que ainda não existem”

PORTUGAL MOEDAS

As caneleiras da Seleção ou torres interativas. O comissário europeu Carlos Moedas viu inovação em Viseu e apontou baterias às profissões do futuro.

Ouviu autarcas e secretários de Estado, pequenas e médias startups, empresas inovadoras estabelecidas há alguns anos e, ainda, um dos maiores grupos portugueses (Visabeira), com contrato milionário com a IKEA. Foram dois dias em Viseu, com agenda carregada, que surpreenderam “pela positiva” Carlos Moedas, o comissário europeu português com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, que gere mais de 80 mil milhões de euros de fundos.

Foi no Politécnico de Viseu que o comissário passou a mensagem aos futuros engenheiros – só em 2017 foram 200 a serem empregados em Viseu – que “uma Europa sem ciência e inovação não funciona”. “A escola atual tem de se adaptar e fazer mais intersecções entre várias disciplinas e a realidade”, explicou Moedas. Seguiu-se uma informação que trouxe do Fórum de Davos:

“65% das crianças que entram na escola vão ter profissões que ainda não existem”.

São essas profissões que desafiou os responsáveis do politécnico e os alunos a imaginar e criar: “os fundos europeus estão cá para ajudar”.

O cicerone de serviço deste sexto Roteiro da Ciência foi António Almeida Henriques, o atual presidente do município de Viseu – ambos foram colegas de governo. A primeira paragem foi em Tondela, na Interecycling. Tem 18 anos de vida e processa anualmente 8 mil toneladas de resíduos elétricos e eletrónicos e outras tantas em plástico. Fatura 3,7 milhões de euros e é líder ibérica nesta área.

Moedas lembrou a importância da economia circular e garantiu que a Europa é líder mundial no setor. Mas há um desafio: “O incentivo hoje é para se produzir, até porque o PIB não mede os desperdícios, mas nos próximos 20 anos vamos ter de mudar e queremos passar a reciclar cerca de 65% do lixo municipal”.

A Interecycling está num projeto com o Instituto Superior Técnico de recuperação de terras raras, que deverá fazer parte dos fundos do Portugal2020. Trata-se de um conjunto de compostos químicos raros que está nos resíduos de materiais elétricos e eletrónicos e que é utilizado em baterias e na indústria aeroespacial. “Estamos a analisar amostras através de raio X e a tentar recuperar terras raras”, explicou José Sardinha, que espera que se possa encontrar um processo eficaz para se tornar num negócio.

O comissário esteve ainda na assinatura de um memorando para a criação do novo centro de competências da Critical Software em Viseu – são 5,4 milhões de euros de investimento. A empresa de Coimbra que exporta 80% nas áreas de aeronáutica, energia e telecomunicações admite estar em busca de equipas criativas de engenheiros (serão 50) e quer ajudar a combater o êxodo rural em “cidades como Viseu, que valem a pena”. Na Universidade Católica de Viseu foi dado a conhecer a unidade de Salivatec, que tem apoios europeus para tentar encontrar uma alternativa às análises de sangue através da saliva.

O Roteiro passou depois pelo “porta-aviões de Viseu”: o grupo Visabeira. Com 800 colaboradores em Viseu (4500 em Portugal e 10 mil no total), que controlam as operações em 17 países, o grupo continua a crescer e faturou o ano passado 638 milhões de euros, 64% em mercado externo. A expansão da marca Ria Stone numa nova fábrica é um dos projetos com o apoio europeu e o contrato para produzir cerâmica para a IKEA foi agora aumentado para 48 milhões de peças por ano até 2026 (vale 250 milhões de euros). A inovação será integrada em vários projetos espalhados por quatro quadros europeus de apoios – a empresa gasta 3 a 4% das suas receitas em investigação.

O segundo dia deu a conhecer startups com potencial acrescido e, ainda, o Centro de Competências IBM/Softinsa. Carlos Moedas conheceu empresas e até deu conselhos. Em destaque esteve a SAK, empresa inovadora que faz caneleiras à medida para jogadores de futebol – incluindo a Seleção e alguns dos principais clubes europeus.

A Piranha Tattoo – que fechou um acordo para vender para a Austrália – fabrica produtos para a indústria de tatuagens, de fontes de alimentação a mobiliário à medida e exporta já para 5 mil tatuadores em cinco continentes.

Já a Tomi faz torres interativas para mais de 100 cidades (Smart Cities) – incluindo no Brasil – e acaba de fechar um contrato para ir para o Chile. Viseu surpreendeu Carlos Moedas com muita (e já bem sucedida) inovação do interior de Portugal para o mundo.

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