Economia

30 horas em Casablanca e um campeonato europeu

O ministro da Economia viu a selecção vencer em Casablanca numa visita onde conversou com empresários. A reportagem do Dinheiro Vivo.

O voo da TAP chegou a Casablanca uma hora atrasado. O ministro da Economia entrou apressado no último andar de um hotel em Casablanca, local escolhido para ver a final do Euro2016, onde a bola já rolava havia 20 minutos. Cristiano Ronaldo já tinha abandonado o campo, desfeito em lágrimas, quando Manuel Caldeira Cabral se juntou aos portugueses que ali se tinham concentrado, equipados a rigor, de cachecol e bandeira de Portugal a cobrir a mesa em frente.

A herança francesa em Marrocos deixa um sentimento híbrido aos marroquinos, que em francês mostravam simpatia pela seleção portuguesa. Mesmo ao lado, um grupo de deputados da América Central – Panamá, Costa Rica, Honduras – torciam por Portugal. “Estamos por Portugal por vossa causa”, disseram ao Dinheiro Vivo, quando questionados pela preferência. Depois de ´Éder, vieram felicitar os portugueses. “É ministro? Então queremos uma fotografia depois da vitória da vossa seleção”.

A vitória da seleção nacional foi o único momento de descontração do ministro da Economia durante a curta deslocação a Marrocos para participar numa reunião do grupo informal Debate 5+5 (Portugal, Espanha, Itália, França, Malta, Líbia, Argélia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia), numa discussão em torno das alterações climáticas e do seu impacto no turismo. Portugal esteve no centro das atenções: o ministro não se apresentou de cachecol da seleção, como fez Mário Centeno, ministro das Finanças, na reunião do Eurogrupo que ia discutir as sanções a Portugal mas foi felicitado pela vitória antes da sua intervenção na reunião minesterial, que culminou na assinatura da Declaração de Casablanca.

O dia tinha começado cedo, com uma reunião à porta fechada com investidores, e terminaria tarde, num encontro com empresários portugueses (ver texto ao lado) onde Caldeira Cabral voltou a aparecer de cachecol. Falou de futebol, mostrou-se satisfeito com a seleção e conversou com os empresários, que aproveitaram para partilhar algumas preocupações. “A proximidade política é importante”, admitiu um empresário ao Dinheiro Vivo. “Com o ministro cá temos forma de transmitir os problemas e receios que temos.”

Estava em Casablanca há 24 horas e já tinha entretanto falado com jornalistas, visitado a farmacêutica portuguesa Tecnimede, dado duas entrevistas (a conversa com o Dinheiro Vivo teve lugar no carro a caminho da fábrica da farmacêutica) e reunido com o ministro do turismo marroquino.

No curto encontro, os dois ministros procuraram pontos de contacto entre os países e forma de potenciar a colaboração. Em causa estará um reforço nas parcerias nas escolas de hotelaria, nas ligações de Marrocos aos países da África Francófona e de Portugal a Angola e Moçambique e ainda da possibilidade de se restabelecerem contactos para implementar uma ligação de ‘ferry’ entre Portugal e Marrocos ou aproveitar o ‘stop over’ da TAP para potenciar o turismo em Marrocos.

Durante a visita à fábrica da Tecnimede, que produz medicamentos oncológicos, e onde foi acompanhado pela secretária-geral da indústria de Marrocos, lembrou a importância de um trabalho conjunto e do acompanhamento às empresas portuguesas. Pelo caminho, ia contando histórias das suas visitas a Marrocos – onde já esteve oito vezes – e outros episódios das viagens que foi fazendo. O ministro, que antes de ingressar no Governo era professor na Universidade do Minho passou por Timor num programa de cooperação, esteve no Brasil e viajou pelos Estados Unidos, Sudeste Asiático e Japão.

O regresso ao hotel fez-se perto da meia-noite. “Bem, despeço-me, vou dormir as três horas a que tenho direito”, brincou o ministro. O ponto de encontro era às 3h30, para regressar a Lisboa no voo da TAP das 5h30 e seguir para uma reunião que duraria todo o dia.

A jornalista viajou a convite do Turismo de Portugal

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