Tecnologia

MirraViz. Esta tecnologia mostra imagens diferentes no mesmo ecrã

Fotografia: DR
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Uma startup de Silicon Valley criou um sistema de projeção que permite usar o mesmo ecrã para mostrar imagens diferentes

Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia, disse o visionário Arthur C. Clarke, e é isso que acontece quando se vê o novo sistema da MirraViz. Esta startup sediada em Fremont, Califórnia, criou algo que parece impossível: usando um só ecrã, é possível ver conteúdos completamente diferentes conforme o posicionamento das pessoas na sala. Sem recurso a óculos especiais nem divisões de ecrã, o sistema tem 13 patentes (algumas já garantidas, outras pendentes) e vários casos de utilização, desde videojogos a televisão e projeções empresariais. Pode ser encomendado a partir de qualquer lado do mundo.

“É tudo controlado pelo ecrã, que tem micro-ótica especial. Temos uma versão curvada, mas também pode ser plano”, explica ao Dinheiro Vivo David Jiang, cofundador e diretor de negócio da MirraViz. Para que é que serve? “Tudo o que tenha entrada HDMI pode ser usado com este sistema. Enquanto alguém faz streaming do Netflix, outra pessoa está a usar o e-mail, outra a ver televisão por cabo e outra a jogar”, resume.

Jogos e entretenimento

Há dois sistemas distintos. Um é específico para videojogos e inclui um ecrã multivisualização de 80 ou 97 polegadas, duas cadeiras para jogadores e dois projetores. O outro é para usar em casa ou no escritório, coloca-se em cima de uma mesa e inclui ecrã de 80 ou 97 polegadas e dois projetores. “No sistema de jogo, tem-se uma visão pessoal”, indica Jiang. Por exemplo, duas pessoas podem estar a jogar Call of Duty sem conseguirem ver o gameplay um do outro. Na experiência que o Dinheiro Vivo fez, foi possível comprovar que o ângulo de visualização é totalmente pessoal e não se consegue perceber o que é que os outros utilizadores estão a ver. É uma espécie de experiência social e individual ao mesmo tempo. O maior problema é o preço: o pacote para videojogos custa entre 2970 e 3390 euros, conforme o tamanho do ecrã multivisualização, o que é um investimento avultado para os consumidores. Neste momento, há apenas quatro empresas no mundo capazes de produzir em massa com todas as especificações e patentes do sistema MirraViz.

“No mercado de consumo e jogadores hardcore, pensamos que não será muito difícil vender em quantidades suficientes para conseguir descer os preços”, afirma David Jiang. “O projetor em si
é baseado em tecnologia já existente, não temos de reinventar. À medida que vendemos mais, os preços descem e podemos usar 4K e só precisamos de pôr os nossos controladores óticos nessas unidades.”

A versão de entretenimento é mais flexível. Pode-se mudar de sítio, levar para o quarto, pôr no chão e ver os conteúdos no teto. Jiang explica que há outra vantagem no seu uso doméstico: “Permite ter pequenos grupos de três ou quatro pessoas a verem o mesmo conteúdo sem distorção, como se estivessem no mesmo ângulo.” A ideia, diz, é “tentar criar uma superfície para casas onde as pessoas não querem ter televisões”.

O próximo passo é a versão comercial, ligeiramente diferente porque tem um ecrã semitransparente. Quando Jiang fez a demonstração da tecnologia ao lado de painéis de publicidade, bastou dar uns passos para trás para deixar de os ver e ter a imagem do ecrã a ocupar todo o campo de visão. “Adapta-se ao tamanho e formato da superfície em que se está a refletir. E o importante é que não se vê o poster que está por trás”, explicou o executivo. Este sistema será lançado como versão comercial e tem a intenção de chegar a lojas de retalho, ginásios, bares, restaurantes e centros comerciais.

“O nosso roadmap inclui produtos disruptivos em indústrias tão diversas quanto entretenimento, sinalética empresarial, realidade virtual e aumentada e publicidade”, avança o diretor de negócio.

Como funciona

David Jiang e Michael Wang abriram a empresa no ano passado, mas as tecnologias vinham sendo desenvolvidas desde 2013. A ideia foi de Michael Wang, que tem um doutoramento em Física Aplicada pela Caltech, em Pasadena. “Quando percebi que 99,99% da luz emitida pela televisão nunca chega ao espectador, soube que havia aqui uma oportunidade para disrupção”, explica. “A nossa tecnologia vira a física dos ecrãs de cabeça para baixo, direcionando os fotões do ecrã para múltiplos locais de visualização.” A inovação está no ecrã, um plástico acrílico com muitas microestruturas e diferentes camadas que controlam o comprimento e largura dos fotões de dispersão.

Apesar da complexidade, Michael e David optaram por não tentar incubação na fase inicial da empresa – foi financiada com dinheiro próprio e do Strategic Global Fund, de Singapura. Os cofundadores deixaram as suas empresas para se lançarem nesta aventura. “Queríamos fazer algo criativo, ter impacto e construir algo divertido. Decidimos tentar isto.”

A startup, que se localiza a poucos minutos da fábrica da Tesla, o fabricante de carros elétricos topo de gama, tem agora oito funcionários. Uma das coisas que pretende fazer, se o sistema for bem –sucedido, é abrir escritório na Europa para atacar os mercados mais desenvolvidos, depois dos Estados Unidos.

“Há muita gente interessada, achamos que isso mostra tração”, arrisca Jiang, que começou agora as conversas com investidores para negociar financiamento de série A. E termina fazendo uma comparação interessante: “Se comprar algo assim na Amazon custa 10 mil dólares.” Pisca o olho, apontando para o sistema de videojogos. “Nós incluímos duas cadeiras.”

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