Tech

A era da Internet das Coisas. Quando vivemos “entre o maníaco e o depressivo”

Se os objetos aprendem os nossos padrões de comportamento, as empresas que nos vendem esses objetos também.

“Entre o maníaco e o depressivo”. É assim que Pedro Maló, professor de sistemas digitais na Universidade Nova de Lisboa, descreve a relação entre humanos e tecnologia. “Somos capazes de ser maníacos com a tecnologia quando ela é novidade e percebemos as coisas que pode fazer. Depois, quando temos um problema sério, ficamos deprimidos e dizemos que nunca mais mexemos em tecnologia”.

O professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia refere-se à Internet das Coisas, tema sobre o qual vai falar num debate, promovido pela Deco, sobre a liberdade de escolha do consumidor neste campo.

Pedro Maló, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

Pedro Maló, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Pedro Maló descreve um conceito difícil de forma simples: “A ideia é tirar partido das tecnologias e de todo o potencial da Internet, mas com as coisas”. Que coisas? “Todos os objetos à nossa volta. Carros, casa, máquinas de lavar loiça, contadores de eletricidade e de água”. No fundo, é, como o nome indica, “a extensão da Internet para as coisas”.

Mas é uma extensão que não vem livre de perigos. “A intenção é sempre aumentar a nossa qualidade de vida e conforto”, mas, quando os objetos “começam a aprender os nossos padrões de comportamento”, há muitas questões que se levantam. Desde logo, as coisas podem começar a controlar os humanos. Mais grave, por trás da coisa, há sempre alguém. “Alguém que esteja envolvido com isto pode perceber quando é que nós estamos em casa ou não, por exemplo”, aponta Pedro Maló.

Por outro lado, se os objetos aprendem os nossos padrões de comportamento, as empresas que nos vendem esses objetos também.

É disto que vai tratar o debate promovido, esta quinta-feira, pela Deco, que decorre no dia 25, quinta-feira. “Em teoria, [a Internet das Coisas] pode antecipar as nossas necessidades, poupar o nosso tempo, o nosso dinheiro e até proteger o ambiente. Mas que implicações é que esta transformação digital poderá ter na vida e na capacidade de livre escolha dos consumidores?”. Será esta a pergunta de partida do debate.

No fim, a resposta que se procura é como é que se consegue manter o equilíbrio entre usufruir das vantagens que a Internet das Coisas oferece e, ao mesmo tempo, manter a nossa privacidade e impedir que empresas e governos tenham acesso a toda a nossa informação. “É uma pergunta muito difícil, mas acho que as coisas vão resolver-se gradualmente, porque o próprio sistema auto-equilibra-se”, diz o professor.

E exemplifica: “É como com os telemóveis. Temos um telemóvel ligado todos os dias, porque a vantagem de o ter é maior do que a certeza de que a operadora sabe onde nós estamos. Só concedemos privacidade e um bocado de nós para termos vantagem e, aqui, a vantagem é muito maior do que o problema”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal é 23º no ranking mundial de talento. Caiu seis posições

O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal é 23º no ranking mundial de talento. Caiu seis posições

Foto: D.R.

TAP soma prejuízos de 111 milhões até setembro. E vai contratar mais 800 pessoas

Outros conteúdos GMG
A era da Internet das Coisas. Quando vivemos “entre o maníaco e o depressivo”