A festa do costume e… o novo protagonista

A festa do FC Porto, domingo à noite, não foi muito diferente de
qualquer outra. Tivesse sido o Benfica campeão e as coisas
ter-se-iam processado da mesma forma. O futebol é irracional – e é
dessa irracionalidade que advém a sua beleza, a sua força e o seu
impacto na sociedade civil portuguesa.

Por muito que haja quem não goste do facto de a TVI ter
interrompido o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa para anunciar o
título de campeão nacional do FC Porto, esse é o procedimento
normal. A atualidade vem sempre primeiro. E se a atualidade for de
futebol, então não há comentador que resista. Quem não se lembra,
há um bom par de anos, do azedume (e saída do estúdio) de Pedro
Santana Lopes, na SIC Notícias, quando foi interrompido para a
estação dar em direto a chegada de José Mourinho ao aeroporto da
Portela. É inevitável. Não há conteúdos mais chamativos do que o
futebol. Não há nenhum produto que renda tantas audiências.

O futebol tem este lado de irracional. Mas, apesar de torcer por
outras cores (pelas outras cores…), fiquei durante alguns minutos
ligado à transmissão televisiva das comemorações do FC Porto.
Gosto de futebol e nestas horas gosto tanto do meu clube como
qualquer fanático vestido a rigor. Mas há um lado que me enternece
nos vencedores. Mesmo que eu esteja do lado dos derrotados. E,
portanto, lá permaneci no sofá, zappando entre os canais
informativos, todos eles em direto, com as reportagens habituais
cheias de nada, em direto dos Aliados, e o Porto Canal.

Já no ano passado tinha visto boa parte da emissão do Porto
Canal, ainda não controlado oficialmente pelo FC Porto. E que
diferença entre as duas emissões. Correspondendo ao amor pela voz
do dono, seguramente, mas, desta vez, muito mais profissional, muito
mais jornalística, sem repórteres histéricos repetindo
banalidades, mas profissionais bem preparados, naturalmente de carne
e osso, naturalmente denotando a sua emoção, mas, caramba, ninguém
exige deles que sejam umas máquinas de debitar palavras! Não há
dúvida – o dedo de Júlio Magalhães nota-se à légua na direção
do Porto Canal.

E, assim sendo, acabaria por ser o Porto Canal o vencedor da
noite. Não na guerra dos números, claro está, que os David
raramente conseguem lutar de igual para igual com os Golias, mas na
guerra dos conteúdos. Não deixa de ser uma ironia da atual forma de
fazer televisão: os três canais informativos (SIC Notícias, TVI 24
e RTPN) lá abriram a antena aos diretos, às palavras de ordem, aos
ódios de estimação. Mas na hora de fazer notícia, lá estava o
logótipo do Porto Canal a passar em simultâneo nas três estações.
Única estação com acesso aos exclusivíssimos bastidores das
comemorações portistas, o Porto Canal acabou por ser a única a ter
algo de novo, como o diálogo entre Pinto da Costa e Vítor Pereira,
que haveria de ceder à concorrência.

Não tenho os números todos aqui presentes, mas no domingo, o
Porto Canal acabou por ter o seu melhor resultado do ano (e não sei
mesmo se de sempre…): 0,4% de quota de mercado, tanto como, por
exemplo, a SIC Radical e apenas a uma décima percentual da TVI24.
Uma espécie de medalha de ouro. Ouro sobre azul, claro…

Diretor executivo da Notícias TV

Escreve à terça-feira

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