A RTP1 voltou a aparecer no mapa

Cumprindo a tradição da média das anteriores temporadas, o 5
para a Meia Noite de sexta-feira é, ao cabo de duas semanas da sexta
série do programa, agora na RTP1, o que regista mais espectadores.
Antes com Luís Felipe Borges, agora com Nilton (pelo meio, na mais
fraca das temporadas, a quinta, com Luísa Barbosa no último dia
útil da semana…).

O homem dos óculos azuis registou, em média, nos seus primeiros
dois programas 237 mil espectadores, um valor que duplica os melhores
resultados de cada sessão do “5” na RTP2 e que permite ao
primeiro canal da televisão pública ter, no “late night” de uma
noite televisiva habitualmente pouco interessante para os jovens, um
público menos envelhecido do que é habitual.

Olhemos como exemplo a edição da última sexta-feira: dos 238
mil espectadores obtidos no total de todo o país, 107 mil tinham
menos de 35 anos, ou seja, cerca de 45% da plateia total. Não tenho
as contas de cabeça, mas serão poucos, ou talvez mesmo nenhum, os
programas da RTP1 (à excepção da programação infanto-juvenil,
claro…) que tenham quase metade dos seus espectadores na categoria
dos jovens ou jovens adultos.

Uma observação apressada dirá que, até agora, a entrada em
antena do quinteto maravilha pouco efeito surtiu no share da estação
naquele slot horário. A observação, como disse, é apressada e,
como tal, corre o risco de estar errada. No cômputo geral, é
verdade que as dez edições exibidas nas duas primeiras semanas
registam, de acordo com os dados da GfK, uma média de quota de
mercado de 11,1%, ou seja, 2,5 pontos percentuais abaixo da média da
estação. Numa primeira análise, simplista e apressada, repito,
dir-se-ia que, até ver, não está a resultar. Só que é preciso
perceber o tamanho da montanha que a RTP1 está a escalar àquela
hora. Por um lado, o canal não tem, há muitos anos, qualquer
tradição de programação minimamente atrativa para os mais jovens
naquele horário; por outro lado, o 5 para a Meia Noite ainda agora
chegou e o público estava habituado a vê-lo noutro canal.

Logo à segunda temporada defendi, em textos públicos, a passagem
do “5” do segundo para o primeiro canal. Não esperava que os 100
mil espectadores habituais se transformassem, por artes mágicas, em
meio milhão. Era evidente que o programa podia crescer, mas
sobretudo, podia dar à RTP1 um novo fôlego, ajudar a refrescar um
auditório que tem no público com mais de 55 anos a sua principal
bandeira. É o que está a acontecer.

Ao fim de duas semanas da sexta temporada, e apesar de alguns
acertos que é preciso fazer, creio que o balanço não podia ser
mais positivo: primeiro, porque colocou na RTP1 programas de conversa
em português; segundo, porque entre os dez convidados que se sentam
naquele sofá em cada semana há sete ou oito que não tinham espaço
na grelha da televisão pública – e não se percebia porquê.
Terceiro, porque a RTP1 voltou a estar no mapa da mira do público
com menos de 30 anos, habitualmente mais tentado a ziguezaguear pelos
canais temáticos do cabo ou pela Internet.

No mais equilibrado elenco de sempre, as duas primeiras semanas do
5 para a Meia Noite confirmam Zé Pedro Vasconcelos como a grande
surpresa (excelentes convidados para começar…), ainda que muito
preso aos papéis e Nuno Markl pela inevitabilidade da sua excelência
de comunicador, seja na rádio ou na televisão. Quanto aos restantes
membros, eles são os suspeitos do costume. Afinal, já os
conhecíamos de ginjeira…

Diretor executivo da Notícias TV

Escreve à terça-feira

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A RTP1 voltou a aparecer no mapa