Ainda sobre o Novo Banco. “Uma solução de compromisso onde o óptimo era inimigo do bom”

O banco recebe os ativos não tóxicos do BES
site, a mudança do BES para o "banco bom" foi praticamente imediata. Mas na rede de balcões, ainda é o BES que recebe os clientes."> O banco recebe os ativos não tóxicos do BES

Das cinzas tóxicas do BES emergiu o Novo Banco. No site, a mudança do BES para o "banco bom" foi praticamente imediata. Mas na rede de balcões, ainda é o BES que recebe os clientes.

Mário Mandacaru, designer criador de marcas de A Equipa, analisa o Novo Banco. Para o especialista esta é “apenas a designação de uma
instituição que deverá ser rebaptizada a seu tempo”.

Leia a análise de Mário Mandacaru aqui:

“Sem Sal

Uma das grandes batalhas dos nutricionistas passa por
tentar fazer ver aos portugueses que o elevado consumo de sal é prejudicial à
saúde. Eu próprio sou fã desse mineral e onde quer que vá acabo quase sempre
por trazer na mala alguma embalagem para parcimoniosa utilização culinária.

Não é muito difícil imaginar as condições de hipertensão
que rodearam a criação da ‘marca’ do Novo Banco: sob uma enorme pressão de
tempo aliada a uma gigante responsabilidade para se gerar um output ao mesmo tempo inócuo e minimamente informativo. Uma solução de compromisso onde
o óptimo era inimigo do bom. Odeio essa expressão, mas aqui assenta como uma
luva.

Se a solução podia ser melhor? Talvez, mas acho que,
atendendo à conjuntura da sua criação, é funcional e não quer ser mais do que
isso. Nasceu com um sentido provisório, e contemos que não seja tão provisório
quanto o viaduto ali junto à Torre de Belém.

Leia aqui o que dizem os especialistas em criação de marcas Pedro Celeste (PC&A) e Pedro Albuquerque (Albuquerque Designers)

Em meio a toda essa convulsão, o facto de ser uma
designação registada por outro banco já há uns bons anos parece-me um facto
relativamente de menor importância. Não creio que o próprio BCP vá fazer disso
um cavalo de batalha.

Quanto a avaliar se não teria sido melhor salvaguardar a
marca BES capitalizando todo o seu património de comunicação, quero crer tenha
sido uma solução considerada mas que não foi possível pôr em prática por razões
legais e de logística financeiras. Seria evidentemente mais prático manter o
banco bom com a marca BES, mais não seja porque há todo um gigantesco universo
de aplicações que terá de ser alterado, desde os letreiros luminosos aos
carimbos. Por outro lado, o nome Espírito Santo foi fortemente abalado durante
este processo (que ainda decorre) e o esforço para o reposicionar exigiria um
investimento na dimensão do seu desgaste.

O Novo Banco, tal como foi criado, não pode ter, e
realmente não tem, a pretensão de ser uma marca. É apenas a designação de uma
instituição que deverá ser rebaptizada a seu tempo.

A ter em conta as circunstâncias, o nome não poderia ter
outras conotações, nem ser algo mais aspiracional. O que foi escolhido possui
esse adequado minimalismo semântico. Um pouco sem sal certamente, mas desse
tempero ninguém quer ouvir falar.”

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