Ambiente

Air-Ink: Como transformar a poluição em arte

Air-Ink utiliza dispositivos que recolhem 95% dos poluentes de automóveis e geradores a gasóleo. Fotografia: DR
Air-Ink utiliza dispositivos que recolhem 95% dos poluentes de automóveis e geradores a gasóleo. Fotografia: DR

Bastam 45 minutos para recolher quantidade suficiente para encher um tinteiro

Anirudh Sharma e Nikhil Kaushik são os fundadores da Air-Ink, uma startup indiana que está a transformar a arte. Isso é possível porque estes dois parceiros criaram várias canetas e tinteiros que nascem através da poluição atmosférica.

Tudo começou quando Anirudh Sharma estava na Índia, há alguns anos, a fazer uma pausa nos estudos, no MIT Media Lab, nos Estados Unidos. Ao aperceber-se de que as peças de roupa ficavam sujas, Sharma pensou: “e se a poluição fosse uma fonte de pigmentos?”

No regresso aos Estados Unidos, este indiano construiu um equipamento que podia recolher as partículas de carbono de uma vela. Ao combinar isso como óleo e um pouco de álcool, Sharma apercebeu-se de que podia criar um tinteiro perfeitamente funcional e compatível com as impressoras.

Desta forma nasceram as canetas Air Ink, que têm a tinta recolhida através de dispositivos (Kaalink) instalados nos tubos de escape de automóveis e geradores movidos a gasóleo. Os Kaalink conseguem recolher até 95% dos poluentes que são emitidos. Bastam 45 minutos para recolher quantidade suficiente para encher um tinteiro, de acordo com a versão digital da revista Wired.

Os fundadores da empresa garantem que este dispositivo, que funciona através de eletricidade estática, recolhe as partículas para uma câmara com carga negativa e separando o ar e o vapor de água. Não há qualquer impacto no desempenho do motor. Ao final de algumas semanas de condução, uma luz vermelha acende-se e alerta os condutores para a troca de dispositivo. As partículas recolhidas são depositadas em bancos de carbono.

A primeira grande demonstração destas canetas foi feita com artistas de rua na Ásia em parceria com a Tiger Beer e a Graviky Labs, uma spinoff (empresa separada) do MIT, de acordo com um artigo publicado pela AdWeek em agosto de 2016.

Apesar de ser um processo complexo, Sharma garante que é mais sustentável produzir tinta a partir desta técnica do que no processo habitual.

Por causa disso, está a ser feita uma campanha de crowdfunding (financiamento colaborativo) para que sejam produzidos mais dispositivos e colocá-los nas frotas de autocarros e táxis. A meta é 14 mil dólares (13 mil euros) e a recolha de fundos decorre até ao início de março na plataforma Kickstarter.

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