Internet

Amanda Todd. Suicídio por internet

Há algumas semanas, uma miúda de 15 anos publicou um vídeo no YouTube onde contava a sua história trágica e desesperada de perseguição na internet, que passou a tareias na escola. Na quarta-feira da semana passada, suicidou-se.

Quando se soube que a canadiana Amanda Todd se tinha enforcado em casa, alguns dos autores do “bullying” que sofreu durante anos fizeram uma festa pela sua morte. Escreveram piadas no Facebook – “enforcou-se? não sabia que era assim que as vacas morriam”. Andaram pelas páginas de homenagem à adolescente a escrever o mesmo tipo de coisas que lhe diziam em vida. Parece irreal, mas aconteceu. Na semana passada.

Outras pessoas simplesmente decidiram que a culpa tinha sido dela, porque tudo começou com um erro. É verdade. Quando andava no sétimo ano, Amanda foi convencida por um homem que conheceu online a expor o peito à frente de uma webcam. No que estaria ela a pensar para fazer tamanho disparate? Bom, claramente a maioria de nós não é uma adolescente canadiana de 13 anos, portanto é difícil saber.

Um ano depois, um homem desconhecido contactou-a e ameaçou que se ela não fizesse “espectáculos” para ele online iria divulgar as fotos em que aparecia nua da cintura para cima aos amigos e família. E cumpriu. As suas fotos começaram a circular online e a vida na escola tornou-se insuportável. Mudou de escola. Pouco tempo depois ele voltou a encontrá-la e a divulgar as suas fotos.

Começou então a tormenta nas redes sociais, que acabou por passar para a vida real: os “bullies” do Facebook apanhavam-na na escola e davam-lhe autênticas tareias. No último Verão praticamente não saiu de casa. Começou a cortar-se, a embebedar-se e a usar algumas drogas. Quando fez o vídeo (que o YouTube já retirou) contou a sua história através de papeis com frases. “Não tenho ninguém. Preciso de alguém :(“.

Há cerca de um ano, as autoridades de Vancouver receberam uma denúncia de um “cidadão preocupado” quanto à situação da rapariga, depois de ver as suas fotos largamente partilhadas online. Aparentemente, ninguém fez nada. Onde estavam os pais da adolescente, que agora pedem ajuda para encontrar o homem que a perseguiu e espalhou as suas fotos? Onde estavam as pessoas que lidavam com ela?

Ontem, o grupo de hacktivistas Anonymous divulgou a identidade do homem que a terá perseguido, um canadiano de 32 anos com ligações a sites de pornografia infantil.

É bom que se retirem consequências deste caso, como se retiraram do suicídio de Megan Meier, depois de ser cruelmente perseguida no MySpace pela mãe de uma amiga que se fez passar por um rapaz. A legislação mudou para acomodar o cyberbullying, mas há muito a fazer.

É por esse motivo que continuo a ser contra o uso de redes sociais por adolescentes: não têm a capacidade de discernimento necessária para perceber que o mundo não acaba quando são enxovalhados online, e também não percebem o que devem ou não partilhar.

Acima de tudo, o que me continua a espantar é a crueldade extrema de quem persegue, insulta e enxovalha outros. São miúdos também. De onde saíram eles para terem tamanha falta de valores?

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

PERFIL: Américo Amorim, o homem que construiu um império

PERFIL: Américo Amorim, o homem que construiu um império

ricardo4

Ricardo Salgado: “Vou lutar até ao fim. Eles estão a perceber isso”

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Amanda Todd. Suicídio por internet