António Barreto

António Barreto. “Não fosse a Troika alguns números das contas públicas não eram conhecidos”

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“Não fosse a Troika alguns dos números das contas públicas não eram conhecidos.”

A afirmação é de António Barreto ontem durante o debate promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), sobre a Sociedade do Conhecimento em Portugal. Um retrato social.

Numa defesa do acesso à informação, o sociólogo, que lidera actualmente a Fundação Francisco Manuel dos Santos, considera que “a informação é a alma do negócio. A partilha da informação é a alma do negócio. Quem pensa que o segredo ainda é a alma do negócio está enganado”, afirma. “Se até com o analfabetismo estamos a acabar. Até com a tuberculose estamos a acabar. Por que é que não se acaba com o segredo de Estado?”

Para o sociólogo, os casos do TGV e do novo aeroporto são exemplos da “opacidade do Estado”, uma vez que “se os estudos [destes projectos] tivessem sido conhecidos desde o início” não se tinha assistido a tantos reveses nas decisões políticas.

Barreto também não se mostrou particularmente entusiasmado com o projecto Magalhães que, mais do que um factor de promoção do conhecimento, classificou de um “designío político”.

Francisco Pinto Balsemão, que à margem do encontro optou por não falar com os jornalistas, despoletou a discussão em torno do papel dos media e do serviço público e, já agora, sobre a privatização da RTP.

“Pessoalmente sou favorável a um serviço público de televisão” foi a declaração de intenções inicial de António Barreto e, embora, considere que o actual serviço público não cumpre na íntegra as suas obrigações, “não gostaria que a RTP fosse no banho com o bebé”, numa alusão à privatização.

Para Barreto, serviço público não é “futebol, entretenimento e nem tem que fazer informação”, mas sim debate e cultura. “O canal público tem de elevar a cultura e educar a população”, argumenta, “deve fazer o que os outros [canais] não fazem e elevar o povo”. “De outro modo o serviço público não serve para nada a não ser servir o governo”.

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