Apple: A montanha pariu um iPhone 4 e meio

Steve Jobs, Apple
Steve Jobs, Apple

A Apple nunca demorou tanto a lançar uma nova versão do iPhone e
por isso esperavam-se grandes mudanças no telemóvel. Quinze meses
depois de ter lançado o iPhone 4 no mercado, a empresa deveria estar
pronta para fazer grandes melhorias no modelo, mas não foi isso que
aconteceu.

O iPhone 4S será provavelmente o melhor smartphone do mercado,
mas não é revolucionário em relação à versão actual. É uma
espécie de iPhone 4 com esteróides, daí a recuperação do S de
speed que também foi aplicado ao 3GS. Na essência, a Apple quitou o
iPhone 4 para se ajustar aos avanços da concorrência, incluindo ao
Samsung Galaxy S II e ao Motorola Droid Bionic (que não chegará à
Europa). A principal inovação é a substituição do processador A4
pelo dual-core A5, o mesmo que alimenta o iPad 2. Ou seja, a
capacidade de processamento será sete vezes superior à do iPhone 4,
com melhores gráficos e transição entre aplicações à velocidade
da luz. A arquitectura de recepção também foi melhorada, o que faz
que este seja um telemóvel 3,5 G – os downloads passam a ser feitos
em metade do tempo.

A segunda inovação mais visível é a melhoria da câmara de
cinco para oito megapixels. O sensor é novo e são adicionadas
várias funcionalidades, como a estabilização da imagem, o corte de
ruídos e o vídeo em alta-definição (1080p). Por isso, o director
mundial de marketing Phill Schiller demonstrou na apresentação que
a qualidade das fotos e dos vídeos é muito superior ao que pode ser
feito agora com o iPhone 4.

Quanto ao design é praticamente o mesmo. Aquelas imagens que
tinham sido publicadas em sites e blogues mostrando um iPhone 5 com
um redesenho substancial do hardware não se confirmaram. A reacção
ao iPhone 4S foi tão morna que até ao final da apresentação do
director mundial de marketing ainda havia esperança de ver um iPhone
5 sair do seu bolso.

Desta vez, o uau da Apple foi o software. O iOS 5 é talvez o
upgrade mais importante desde a primeira versão, em 2007. Além de
mudanças na interface e novidades como o iTunes Match e o Find my
Friends, esta versão acrescenta serviços que serão fundamentais
para a Apple do futuro. São estes o iMessage, o iCloud e o Siri.

O iMessage é um BlackBerry Messenger para produtos Apple: a
possibilidade de trocar mensagens e partilhar ficheiros entre iPhone,
iPad e iPod Touch de modo gratuita. A Samsung está a apostar numa
coisa semelhante, o ChatOn.

Depois, o iCloud: cinco gigas de armazenamento gratuito na nuvem
da Apple para cada utilizador. Quem quiser mais espaço pode ter 10
gigas adicionais por 20 dólares por ano, 20 gigas por 40 dólares ou
50 gigas por 100 dólares. Tudo o que for armazenado na nuvem pode
ser acedido a partir de qualquer dispositivo com ligação à
Internet.

O outro serviço, o Siri é um assistente digital pessoal activado
por voz. Na verdade, é um conceito que a Apple recuperou de um
projecto que tinha em 1987. Basta dizer o que se quer e o Siri faz:
desde enviar sms, agendar reuniões, telefonar a alguém, saber que
tempo faz, abrir o navegador GPS… nesta fase, um português terá
de usar inglês, francês ou alemão – as únicas línguas
contempladas, visto que o serviço ainda está em beta.

Com Portugal no terceiro lote de países a receber o iPhone 4S, em
Dezembro, haverá tempo para perceber a recepção do telefone nos
outros mercados. Para quem tem iPhone 4, ainda não é a altura de o
reformar. Quem não tem smartphone ou quer mudar para a Apple, vale a
pena começar a fazer contas ao subsídio de Natal que ainda irá
receber.

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